Preço do gás na Europa ultrapassa 100 euros por megawatt-hora e bloco alerta para nova crise energética
O gás natural na Europa passou de 100 euros por megawatt-hora, e a UE alerta para um inverno difícil com armazenamento abaixo do normal.
O preço do gás natural na Europa ultrapassou 100 euros por megawatt-hora na tarde desta quarta-feira (28), patamar que não era registrado desde dezembro de 2022, no auge da crise energética provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia. O contrato holandês TTF, principal referência para o gás no continente, era negociado a 100,37 euros às 16h CET, com alta de mais de 4% no dia.
A escalada ocorreu poucas horas depois de o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, afirmar que o bloco enfrenta uma nova crise energética e um inverno difícil. Em Bruxelas, após reunião com refinarias de petróleo europeias, ele disse que a Europa enfrenta mais uma vez uma crise energética por causa da turbulência geopolítica e afirmou que as faturas de energia na UE estão “a disparar”.
Antes do início da guerra com o Irã, no fim de fevereiro, o preço do gás rondava os 32 euros. Mesmo com a alta recente, o valor segue muito abaixo do recorde de cerca de 340 euros, registrado em agosto de 2022.
O abastecimento está sob pressão. As perturbações nas cargas de gás natural liquefeito (GNL) causadas pela guerra cortaram fornecimentos de várias origens, sobretudo do Qatar, e a Europa entrou no verão com os armazenamentos bem abaixo do normal. Segundo a Agência da União Europeia para a Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER), as reservas de gás do bloco estavam em 75% no dia 21 de outubro, longe da meta habitual de 90% até 1º de novembro, objetivo que os países podem aplicar de forma mais flexível.
Quase nenhum carregamento de GNL do Qatar chegou à UE no verão, e o bloco passou a depender mais dos Estados Unidos, que hoje respondem por cerca de 30% do gás consumido. A agência também alertou que a Europa vai disputar com a Ásia os carregamentos de GNL disponíveis no inverno, o que pode expor o continente a novas oscilações de preço. Por outro lado, a procura por gás está cerca de 20% abaixo da registrada antes da crise de 2022, o que ajuda as reservas a durar mais.
No petróleo, a Comissão Europeia prevê que o mercado mundial de diesel continue apertado bem além de 2027, mantendo a energia cara, e pretende ampliar a produção nas refinarias europeias, cerca de um quarto das quais foram fechadas nas últimas duas décadas. Na próxima semana, a Europa também discute alternativas de fornecimento: o bloco e o Canadá estudam um acordo de longo prazo sobre GNL, segundo uma declaração preliminar para a cúpula de Montreal, marcada para quinta-feira (29) e sexta-feira (30), e os ministros da Energia da UE também se reúnem na quinta-feira.



