Greve de médicos na Inglaterra: consultores param por dois dias a partir de 25 de novembro
Consultores médicos da Inglaterra farão greve de dois dias a partir de 25 de novembro, com atendimento apenas em emergências, em disputa por salários e jornada.
Consultores médicos da Inglaterra, os profissionais mais graduados dos hospitais, vão paralisar as atividades por dois dias. A greve de médicos começa em 25 de novembro, às 6h59 no horário de Greenwich, e os consultores atuarão apenas no atendimento de emergências.
A modalidade é conhecida como cobertura de Natal. Segundo a fonte, a paralisação deve afetar de forma importante a maior parte dos atendimentos de rotina e dos procedimentos eletivos, aqueles agendados com antecedência.
O anúncio vem após cerca de um mês de conversas com o governo britânico. A disputa começou com a votação favorável à greve entre os associados da British Medical Association (BMA), sindicato da categoria, realizada em julho.
Segundo a BMA, os salários dos consultores caíram cerca de um quarto nos últimos 17 anos, já descontada a inflação. Neste ano, a categoria recebeu reajuste de 3,5%, mas o sindicato afirma que isso não compensa a perda acumulada.
A entidade também pede a redução da jornada padrão de 40 para 35 horas semanais, remuneração maior para plantões fora do horário comum e mudanças nas regras de pensão, com mais flexibilidade sobre quando os benefícios podem ser recebidos.
Os consultores têm salário-base de 113,5 mil libras por ano, que chega a 150,5 mil libras para os mais experientes. A média de ganhos supera 150 mil libras anuais, e muitos profissionais recebem dezenas de milhares de libras em pagamentos extras e premiações.
Em comunicado conjunto, as copresidentes do comitê de consultores da BMA, Helen Neary e Shanu Datta, afirmaram que tentaram negociar de boa-fé com o governo, mas que os ministros sucessivamente adiaram as soluções. Segundo elas, a categoria chegou ao limite e foi forçada a anunciar a paralisação.
Na votação da greve, 76% dos consultores que participaram se manifestaram a favor, com pouco mais da metade dos associados elegíveis votando. O governo afirma que a decisão representa cerca de um em cada cinco consultores do Serviço Nacional de Saúde (NHS) na Inglaterra, já que quase metade deles não é filiada à BMA.
A secretária de Saúde, Yvette Cooper, disse que o governo mantinha discussões construtivas com a BMA e classificou como decepcionante o anúncio das datas. Para ela, a paralisação seria irresponsável e colocaria o sistema de saúde sob pressão ainda maior.
Os consultores não faziam greve na Inglaterra desde 2023. A nova paralisação ocorre em meio a outra greve de médicos, prevista para novembro na Irlanda do Norte. Já a disputa com os médicos residentes na Inglaterra, que durou mais de três anos com paralisações intermitentes, chegou ao fim no início deste ano.



