Bugios na Serra: espécie ameaçada de extinção aparece em casas e telhados de Costa Bela
Bugios ameaçados de extinção aparecem em residências de Costa Bela, na Serra. Especialistas orientam manter distância e não tentar capturar os animais.
Animais que costumam viver no alto das árvores, longe da vista humana, têm descido cada vez mais perto das casas em Costa Bela, bairro da Serra. Moradores têm se deparado com uma cena curiosa: bugios na Serra, macacos ameaçados de extinção, passeando por ruas, subindo em telhados e até explorando máquinas de lavar roupas.
Nos últimos cinco dias, moradores registraram diversos encontros com os primatas em uma região que concentra extensa área de Mata Atlântica e abriga centenas de espécies silvestres. Já nesta segunda-feira (26), um novo bugio foi avistado no bairro, e os animais também foram vistos várias vezes ao longo da semana passada.
A moradora Daniele Curty relata que os encontros se tornaram frequentes. Segundo ela, os macacos, que normalmente vivem nas árvores, circulam cada vez mais perto das residências. Os registros mostram animais sobre telhados, muros e outros espaços das casas.
Uma das explicações para o comportamento está na organização social dos bugios. Segundo orientações do grupo Amigos dos Bugios, do Rio Grande do Sul, machos adultos podem deixar o bando após disputas com outros machos, inclusive os mais jovens. Alguns animais também se deslocam em busca de novos territórios, de outros bandos e de oportunidades de reprodução.
Nesses deslocamentos, os bugios podem atravessar ruas, estradas e áreas urbanizadas, o que explica aparições em locais onde não seriam esperados. Ainda assim, nem todos os animais vistos em Costa Bela foram necessariamente expulsos de seus grupos. Identificar as causas depende de acompanhamento especializado.
Apesar da aparência tranquila, os bugios são animais silvestres que precisam de espaço para circular. Quando atravessam ruas ou permanecem em áreas residenciais, ficam mais vulneráveis a atropelamentos, ataques de cachorros e acidentes durante tentativas de fuga.
A orientação é manter distância, não tentar capturar o animal e evitar qualquer atitude que provoque medo ou estresse. Moradores também devem manter os cães afastados e permitir que o macaco encontre um caminho seguro de volta à vegetação. Se algum animal estiver ferido ou em perigo, é importante acionar os órgãos ambientais.
Costa Bela fica próximo a uma das últimas áreas significativas de mata de restinga do litoral da Serra, vegetação que se estende em direção a Nova Almeida. Além dos bugios, a região abriga saguis, cachorros-do-mato, ouriços e aves. Esse cenário mostra como os bugios na Serra dependem de remanescentes florestais, que também são refúgio em outros pontos como o Mestre Álvaro.
Os bugios estão entre os maiores primatas da Mata Atlântica e podem chegar a cerca de dez quilos, dependendo da espécie e do indivíduo. No Espírito Santo, há registros do grupo Alouatta guariba, conhecido como bugio-ruivo ou bugio-marrom, que o ICMBio classifica como espécie em perigo de extinção.
A redução das populações está associada principalmente à destruição e fragmentação das florestas, à caça e aos surtos de febre amarela. Entre 2016 e 2018, a doença provocou mortalidade expressiva desses primatas, especialmente em áreas da Região Sudeste.
O biólogo Cláudio Santiago já havia explicado que os bugios são animais arredios e que o contato direto deve ser evitado. Mesmo despertando curiosidade, eles desempenham papel importante no equilíbrio ambiental. A recomendação é permitir que o animal siga seu caminho sem interferência humana.



