Vitória, quarta-feira 21 de outubro de 2026
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VIDA & SAÚDE

Planta que só existe numa pedra de Castelo já nasce ameaçada de extinção

Por Repórter Capixaba ·
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Pleroma latisepalum

Pleroma leucotrichum foi achada na Pedra dos Cabritos, área cercada por pedreiras, lavouras e turismo de aventura.
O mesmo estudo descreve mais duas espécies novas em afloramentos rochosos do Espírito Santo e de Minas Gerais.
Duas das três correm risco de desaparecer, segundo os botânicos que assinam a pesquisa.

Ela é parente da quaresmeira, cresce em pequenos grupos espalhados sobre a rocha e, até onde a ciência sabe, não existe em nenhum outro lugar do planeta. A Pleroma leucotrichum só foi encontrada na Pedra dos Cabritos, no complexo rochoso da Pedra do Fio, na região de Estrela do Norte, em Castelo, no Sul do Estado. Acaba de ganhar nome científico e já chega classificada como em perigo de extinção.

O risco tem endereço. A pedra fica fora de qualquer unidade de conservação, num dos polos de extração de rochas ornamentais do Espírito Santo. Em volta, há agropecuária e turismo de aventura.

A descrição saiu no dia 6 deste mês na revista científica Phytotaxa. Assinam o trabalho Fabrício Schmitz Meyer, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Museu Botânico Municipal de Curitiba; Dayvid Rodrigues Couto, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Nacional da Mata Atlântica (Inma), em Santa Teresa; Ludovic Kollmann, do Inma; e Renato Goldenberg, da UFPR.

O artigo apresenta mais duas espécies. A Pleroma latisepalum vive em apenas dois afloramentos, em Itaipé e Novo Cruzeiro, no Vale do Jequitinhonha mineiro, e foi classificada como vulnerável. A Pleroma squamipilosum aparece em Nova Venécia, no Norte capixaba, e em pontos de Minas. Sobre ela, ainda faltam dados para dizer se está ameaçada.

Ilhas de pedra

As três crescem em inselbergues, aqueles grandes morros de rocha que brotam isolados na paisagem, como os pontões do Norte do Estado. Lá em cima, o solo é raso, o sol bate forte e a água some rápido. Só sobrevive quem se adaptou. Muitas dessas plantas ocupam áreas minúsculas.

“Os inselbergues possuem uma flora muito particular, que muitas vezes não é encontrada nas florestas ao redor. As novas descobertas mostram que ainda conhecemos pouco a diversidade desses ambientes”, diz Couto.

Não é a primeira vez que essas pedras surpreendem. Parte da mesma equipe já havia descrito três espécies do gênero em 2016 e outras quatro em 2018, todas em rochas capixabas.

Lupa e herbário

Para separar uma espécie nova de suas parentes, os botânicos examinaram folhas, flores e estruturas reprodutivas e compararam tudo com exemplares guardados em coleções. “Nem sempre as diferenças entre duas espécies são evidentes à primeira vista”, explica Meyer.

Boa parte desse acervo está no Herbário MBML, do Inma, que reúne décadas de coletas no Estado. “Um exemplar coletado pode ser estudado e comparado muitos anos depois”, lembra Kollmann.

Goldenberg resume o problema: “Quando essas plantas ocorrem em áreas tão pequenas, qualquer alteração no ambiente pode comprometer sua sobrevivência.”

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