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Mais de 100 novas empresas de logística vão investir R$ 5 bilhões no Espírito Santo nos próximos 10 anos

Mais de 100 empresas de logística devem investir cerca de R$ 5 bilhões no Espírito Santo na próxima década, com geração de empregos.

Por Roberto Andrade ·
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Mais de 100 novas empresas de logística vão investir R$ 5 bilhões no Espírito Santo nos próximos 10 anos
Imagem ilustrativa. Foto: Joyce Roosenhart / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Mais de 100 novas empresas devem investir cerca de R$ 5 bilhões em atividades de logística no Espírito Santo nos próximos 10 anos, com geração de novos empregos. A estimativa faz parte de um levantamento confirmado pelo presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão, que avalia que o ritmo de expansão dos últimos anos aponta para uma perspectiva positiva na próxima década.

Os números ajudam a dimensionar o crescimento. Em 2020, o Estado tinha cerca de 163 mil metros quadrados de condomínios logísticos. No primeiro trimestre deste ano, essa área chegou a 1,72 milhão de metros quadrados, de acordo com dados da consultoria Colliers. Mantido o ritmo atual, o Estado deve somar cerca de 2,6 milhões de metros quadrados adicionais na próxima década, projetou o economista.

O anúncio mais recente é do complexo Raizz Vila Velha, às margens da Rodovia Darly Santos, com 88,5 mil metros quadrados divididos em quatro galpões e investimento estimado em mais de R$ 200 milhões.

Segundo a Nova ES, o Estado tem condições de sustentar um ciclo importante de crescimento logístico na próxima década. A diretora-presidente da agência, Patrícia Gouvêa, afirma que a expansão deve exigir profissionais com perfis diversos, desde funções operacionais até cargos de maior especialização técnica e tecnológica. Ela cita o Senai Porto, que oferece cursos voltados à logística, como exemplo de iniciativa já existente para formação de mão de obra.

Entre as empresas que anunciaram ou devem anunciar o início de operações no Espírito Santo estão multinacionais. Segundo Patrícia Gouvêa, uma grande multinacional do setor de bens de consumo que começa a atuar no Brasil deve anunciar seu investimento em breve. Ela também citou operações de distribuição de eletrônicos, como a da multinacional chinesa Realme. Além dessas oportunidades já confirmadas, a carteira da Nova ES tem outras 22 oportunidades em diferentes estágios, desde conversas iniciais e estudos de viabilidade até negociações mais avançadas. Entre elas, há 5 em infraestrutura e operações portuárias e ferroviárias, 9 em centros de distribuição e armazenagem, 5 ligadas ao comércio exterior e logística especializada e 3 novas operações industriais e comerciais.

Para o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, a consolidação do conceito de hub logístico depende de maior competitividade em qualidade e custo em todos os modais de transporte, além da capacidade de atrair novas cadeias, como a indústria automotiva e a de bens de consumo.

A reforma tributária é o principal desafio colocado para o setor. Especialistas avaliam que ela deve reduzir parte da vantagem dos incentivos fiscais, mas que outros fatores podem manter a atratividade do Estado. Para Salume, a localização, os portos, as ferrovias, a conexão com o Centro-Oeste e o Sudeste e a base industrial não dependem de incentivo fiscal. Já o economista Marcelo Loyola, da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan), afirma que a vantagem tende a diminuir com a reforma e a tributação no destino.

O diretor de Industrial e Logística da Colliers Brasil, Mauricio Nascimento, afirma que o Estado precisa acelerar obras de infraestrutura antes de 2029, citando o Imetame, o Porto Central, a BR-262 e a EF-118 como projetos que, entregues no prazo, podem fortalecer a posição capixaba na transição tributária. Patrícia Gouvêa, por sua vez, destaca que o Estado destinou 20% de sua receita total a investimentos em 2025, a maior proporção entre os estados brasileiros.

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