Espiões em hotéis: prompt do Claude Code usa notebook para procurar câmeras ocultas
Prompt do Claude Code transforma um notebook em ferramenta para buscar câmeras e rastreadores ocultos em hotéis e imóveis de temporada.
Um prompt para o Claude Code pode transformar um notebook em ferramenta de busca por espiões em hotéis e imóveis alugados por temporada, como os anunciados no Airbnb. A proposta é que a inteligência artificial analise redes Wi-Fi e sinais Bluetooth e verifique o celular do hóspede, procurando equipamentos suspeitos antes mesmo de a pessoa desfazer as malas.
A novidade foi divulgada na rede X pelo usuário @Damir_Akaza, que relatou o caso de um amigo que testou o script em um quarto de hotel. Segundo o relato, a varredura encontrou uma câmera oculta atrás do espelho do banheiro em 90 segundos. Trata-se de um depoimento que não foi verificado de forma independente.
Pelo prompt, o Claude Code atua como assistente de segurança para check-ins e funciona somente em modo leitura. Isso significa que ele pode identificar equipamentos, mas não pode acessar dispositivos, testar senhas, explorar vulnerabilidades nem interagir com os aparelhos encontrados. Cada comando também é explicado ao usuário, que acompanha o processo passo a passo.
O método tem limites. Câmeras que gravam em cartões SD, que usam redes Wi-Fi próprias ou que estão em redes com isolamento entre hóspedes podem escapar da detecção. Por isso, a ferramenta não garante encontrar todas as câmeras ocultas.
A varredura tem cinco etapas. Na primeira, ferramentas como arp-scan e nmap listam os dispositivos da rede local, analisando endereços MAC, fabricantes e portas de comunicação usadas por câmeras de segurança. O sistema também procura serviços de transmissão de vídeo, como o RTSP, e sinaliza aparelhos potencialmente suspeitos, sem abrir vídeos durante a investigação.
Na segunda etapa, um script em Python com a biblioteca bleak observa transmissões Bluetooth próximas. Ele faz buscas de 30 segundos a cada dois minutos, durante dez minutos, coletando fabricantes, UUIDs de serviços e intensidade do sinal. A ferramenta busca características de rastreadores como Apple Find My, Tile e Samsung SmartTag. Como alguns aparelhos trocam o endereço MAC com frequência, a análise considera outros elementos das transmissões. Ainda assim, um sinal compatível não comprova sozinho a existência de um rastreador usado para espionagem.
A terceira etapa verifica o celular do próprio hóspede com o Mobile Verification Toolkit (MVT), um conjunto de ferramentas de código aberto criado para identificar possíveis sinais de invasão em dispositivos móveis. A ferramenta não detecta todos os aplicativos espiões automaticamente, e seus recursos variam conforme o sistema operacional e o modelo do aparelho.
Quando a rede Wi-Fi impede identificar os outros dispositivos conectados, o assistente orienta o hóspede a fazer uma inspeção visual. A lista inclui espelhos, saídas de ar-condicionado e objetos posicionados para apontar para a cama ou outras áreas privadas. Uma lanterna ajuda a examinar pequenos orifícios e objetos de aparência incomum. A etapa é importante porque nem todas as câmeras usam Wi-Fi ou Bluetooth, e alguns equipamentos gravam imagens no próprio aparelho.
Ao final, o Claude Code organiza os achados em uma tabela de ocorrências suspeitas e sugere providências conforme cada caso. As recomendações podem incluir verificações adicionais, pedido de outro quarto, contato com a plataforma de hospedagem ou, diante de indícios concretos de crime, o acionamento das autoridades.
Vale distinguir anomalia técnica de evidência de espionagem. Dispositivos desconhecidos na rede, sinais Bluetooth incomuns ou objetos estranhos podem ter explicações legítimas. Para o hóspede, a orientação prática é tratar cada achado como um alerta a ser verificado, e não como prova automática de vigilância.



