Espionagem no celular: como saber se alguém espiona seu aparelho e o que fazer
Aplicativos espiões podem monitorar mensagens, localização e câmera sem o consentimento do dono; veja os sinais de alerta e como agir com segurança.
Aplicativos espiões, conhecidos como stalkerware, podem acompanhar a localização, as mensagens e outras atividades do celular sem que o dono perceba. Segundo orientações divulgadas neste sábado (24), a espionagem no celular pode deixar rastros, mas nenhum sinal isolado confirma a presença desses programas.
A instalação costuma acontecer quando alguém tem acesso físico a um aparelho desbloqueado. Também pode ocorrer por meio de links maliciosos e aplicativos falsos baixados fora das lojas oficiais. Dados da Kaspersky referentes a 2024 e 2025 colocam o Brasil entre os países com mais detecções desse tipo de software, ao lado de Rússia e Índia.
Entre os sinais de alerta estão a bateria descarregando rapidamente, o aparelho esquentando com a tela apagada, o consumo elevado de dados móveis e reinicializações inesperadas. Esses sintomas também podem vir de atualizações, aplicativos legítimos ou desgaste da bateria.
Um primeiro passo é revisar a lista de apps instalados e conferir quais dados cada um consegue acessar. Programas de monitoramento podem se esconder sob nomes genéricos, então vale pesquisar qualquer item desconhecido antes de excluí-lo, pois componentes do sistema também podem parecer estranhos.
No Android, a seção de privacidade mostra quais apps usaram câmera, microfone e localização. Nas configurações, também é possível verificar os apps com acesso à acessibilidade, à administração do dispositivo e às notificações, além de VPNs e perfis de gerenciamento desconhecidos.
No iPhone, a recomendação é revisar as permissões de câmera, microfone, fotos, contatos e localização. Em Ajustes, vale conferir os dispositivos vinculados à Conta Apple e os perfis em Geral, em VPN e Gerenciamento de Dispositivo.
Nas contas, revise os dispositivos conectados ao Google ou à Apple, encerre sessões suspeitas e confira com quem sua localização é compartilhada. Também observe se outra pessoa conhece seu código de desbloqueio ou insistiu na instalação de apps de localização.
Ferramentas de proteção podem encontrar programas maliciosos que passam despercebidos, mas nenhuma varredura garante a detecção de todos os monitores. No iOS, a revisão manual de permissões e perfis é especialmente importante, já que o sistema não oferece varredura antivírus convencional.
Se a suspeita envolver parceiro, ex-parceiro ou familiar, a cautela deve ser maior, pois remover o programa pode alertar a pessoa que faz a vigilância e aumentar o risco de ameaças ou violência. Antes de qualquer alteração, registre capturas de tela com o nome do programa, as permissões e os acessos suspeitos, guardando as evidências fora do aparelho monitorado.
Em possível situação de perigo, procure ajuda por outro celular ou computador confiável. No Brasil, o Ligue 180 oferece atendimento gratuito para mulheres em situação de violência, inclusive orientações sobre violência digital. Em emergências, ligue para o 190.
Sem risco à integridade física, o caminho é revogar primeiro os acessos especiais do programa e só então desinstalá-lo. Depois, altere as senhas em um dispositivo seguro, começando pelo e-mail principal e pelas contas Google ou Apple, e ative a autenticação em duas etapas.
Se as medidas anteriores não resolverem, a restauração de fábrica pode remover os apps espiões, mas apaga os dados locais, por isso proteja arquivos essenciais antes. Ao reconfigurar, instale os aplicativos apenas pelas lojas oficiais e evite restaurar backups antigos sem cautela.

