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Cataratas do Niágara: Annie Taylor sobrevive à queda de um barril em 1901

Em 1901, Annie Taylor tornou-se a primeira pessoa documentada a sobreviver à queda de um barril nas Cataratas do Niágara.

Por Roberto Andrade ·
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Cataratas do Niágara: Annie Taylor sobrevive à queda de um barril em 1901
Foto: Mhsheikholeslami / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Há exatos 125 anos, em 24 de outubro de 1901, a professora estadunidense Annie Edson Taylor se tornou a primeira pessoa documentada a sobreviver à descida das Cataratas do Niágara dentro de um barril. Aos 63 anos, ela buscava fama e dinheiro, mas acabou entrando para a história por um feito que poucos imaginariam possível.

Annie projetou pessoalmente o recipiente, feito de carvalho do Kentucky, com cerca de 1,2 metro de altura. Uma bigorna de aproximadamente 90 quilos no fundo mantinha o barril na vertical, enquanto almofadas no interior amorteciam os impactos. Um arnês prendia a professora para evitar que ela fosse arremessada contra as paredes.

A descida começou em Port Day, a cerca de 1,5 quilômetro da borda, e seguiu até Grass Island. Às 15h50, uma embarcação a remo puxou o barril pelo lado canadense do rio. Às 16h05, a equipe da operação soltou o recipiente na correnteza.

Dali em diante, Annie não tinha como controlar o trajeto. A água passava por recifes e se agitava com violência, e ninguém podia garantir que a estrutura resistiria até o fim. Às 16h23, o barril alcançou a borda da Horseshoe Falls e despencou, atingindo as águas turbulentas da base menos de um minuto depois.

Por algum tempo, ninguém sabia se ela havia sobrevivido. Às 16h40, dois homens localizaram o barril preso a uma correnteza perto da margem. Para abri-lo, precisaram serrar parte da tampa superior.

Annie estava viva, mas em estado de choque, e precisou de ajuda para chegar à margem. Tinha um corte de cerca de 7,5 centímetros atrás da orelha direita, sem saber como o ferimento ocorrera, e sentia dores entre os ombros. Contou que havia perdido a consciência durante a passagem pelas corredeiras.

A notícia logo ganhou espaço na imprensa. Em 25 de outubro de 1901, um dos principais jornais de Nova York relatou a sobrevivência da professora e a expectativa dos médicos de que ela se recuperasse do choque, um desfecho que surpreendeu quem acompanhou a descida.

Apesar da repercussão, Annie não incentivava a façanha. Quando questionada, resumiu o assunto em poucas palavras: “Não tente isso”.

Nos anos seguintes, ela apareceu em jornais de todo o país, mas não conseguiu transformar a atenção em ganhos financeiros duradouros. Teve dificuldades para organizar apresentações e chegou a afirmar que tinha 40 anos, quando tinha 63 na época do feito.

Annie morreu na pobreza em abril de 1921 e foi enterrada no Oakwood Cemetery, em Niagara Falls, no estado de Nova York. Hoje, sua história segue preservada: o New York State Museum exibe uma réplica do barril, e o The Buffalo History Museum mantém um podcast dedicado à sua vida. Entre a fama passageira e o fim discreto, a trajetória de Annie lembra que a notoriedade nem sempre acompanha quem arrisca tudo por ela.

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