Colisão entre trens de alta velocidade deixa ao menos 30 mortos na Espanha
Colisão entre dois trens de alta velocidade perto de Toledo, na Espanha, deixa ao menos 30 mortos; circulação entre Madri e Andaluzia foi suspensa.
Uma colisão entre trens de alta velocidade deixou ao menos 30 mortos nesta quarta-feira (28) perto de Toledo, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri, na Espanha. O acidente ocorreu na linha que liga a capital espanhola à Andaluzia. O número de vítimas foi atualizado pelo governo de Castilla-La Mancha, região onde a tragédia aconteceu.
Os dois trens transportavam 544 pessoas: 147 estavam no trem da operadora privada Iryo e 397 viajavam no trem AVE, da estatal Renfe, segundo as autoridades regionais. Até o momento, não há balanço oficial de feridos.
O acidente aconteceu às 8h54, no horário local, entre as cidades de Mora, Orgaz e Urda, na província de Toledo. De acordo com as primeiras informações, um trem da Renfe bateu na traseira de um trem da Iryo na entrada da estação de Urda, o que provocou o descarrilamento de vários vagões.
Imagens divulgadas pela televisão espanhola mostram os dois trens parcialmente descarrilados, com alguns vagões tombados às margens da ferrovia. Um passageiro contou à rádio Cadena SER que ouviu um barulho forte, que durou cerca de dez segundos, e viu pela janela um trem acidentado.
Segundo as primeiras hipóteses divulgadas pela imprensa espanhola, a causa pode ter sido um erro humano de um operador da Adif, a estatal responsável pela infraestrutura ferroviária do país, diante de uma falha no principal sistema de sinalização. Por enquanto, trata-se de hipóteses iniciais.
Equipes de emergência foram mobilizadas para o local, com bombeiros, helicópteros e unidades móveis de terapia intensiva. O governo espanhol também enviou equipes da Unidade Militar de Emergências. A circulação de trens de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia foi interrompida após o acidente.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez cancelou compromissos previstos para o dia e suspendeu a participação em uma cúpula sobre obesidade que seria realizada em Madri. Em uma publicação na rede social X, ele afirmou estar “chocado” e manifestou “afeto, solidariedade e apoio” às vítimas e aos familiares.
O Partido Socialista (PSOE), liderado por Sánchez, e o Partido Popular (PP), de oposição, suspenderam suas atividades de campanha ao longo do dia. O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, disse estar “muito preocupado” com o novo acidente. O presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, cancelou sua agenda e se dirigiu ao local.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lamentou as mortes e afirmou que “hoje a Europa chora” com as famílias das vítimas. O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou a “solidariedade da França” ao povo espanhol.
O novo acidente ocorre pouco mais de nove meses depois de uma colisão em Adamuz, na província de Córdoba, também na Andaluzia, em 18 de janeiro, que deixou 46 mortos e mais de 150 feridos. Naquele caso, um trem da Iryo descarrilou antes de colidir com um trem da Renfe que seguia no sentido contrário, e o episódio reacendeu o debate sobre a manutenção da infraestrutura e a segurança da rede. A Espanha tem cerca de 4 mil quilômetros de linhas de alta velocidade, a segunda maior rede do mundo, atrás apenas da China. A tragédia acontece em meio à campanha para as eleições gerais antecipadas de 29 de novembro.



