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Comportamento de tigres registrado em cenas raras desafia ideias sobre a espécie

Câmeras flagram tigre macho interagindo com filhotes e fêmea cuidando de crias alheias, cenas que desafiam a ideia de que os felinos vivem isolados.

Por Roberto Andrade ·
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Comportamento de tigres registrado em cenas raras desafia ideias sobre a espécie
Arte: Repórter Capixaba

Um tigre macho foi flagrado se aproximando dos filhotes e cumprimentando-os com um movimento de cabeça, enquanto a mãe descansava por perto. A cena faz parte do documentário “Tiger Island”, da PBS, em duas partes, que acompanha duas famílias de grandes felinos no Nepal. O material amplia o conhecimento sobre o comportamento de tigres, animais tradicionalmente vistos como solitários.

Segundo o biólogo de vida selvagem e cineasta Dan O’Neill, que colaborou com o filme, é a primeira vez que se documenta uma “família” de tigres passando tempo junta. Até então, acreditava-se que as mães criavam os filhotes por até dois anos sem nenhuma ajuda do macho.

Para O’Neill, o registro mostra o quanto ainda se desconhece sobre a espécie. “Isso mostra que realmente não sabemos nada sobre eles”, afirmou. “E eles são muito mais complexos do que as pessoas imaginam.”

Outra cena mostra uma fêmea cuidando dos filhotes de outra tigresa. Imagens como essa podem ajudar a entender como as mães protegem as crias. Machos de tigre, assim como os leões, às vezes matam filhotes, prática conhecida como infanticídio, sobretudo quando um novo macho assume o território.

Segundo O’Neill, permitir que outra fêmea cuide dos filhotes pode aumentar as chances de sobrevivência até a fase adulta. Observações anteriores já haviam registrado fêmeas ajudando a criar filhotes alheios, mas o fenômeno é raro.

Para captar essas cenas, a equipe usou drones com lentes de zoom óptico potente e hélices silenciosas, que permitiram observar os animais em locais de difícil acesso sem perturbá-los. Armadilhas fotográficas tradicionais costumam registrar bichos apenas em trilhas, deixando boa parte da vida privada dos tigres fora do alcance das câmeras.

Apesar de solitários, tigres (Panthera tigris) frequentemente vivem perto de comunidades humanas ou dividem o habitat com elas. Isso significa que, às vezes, atacam pessoas e matam rebanhos. Para O’Neill, seria “absolutamente ingênuo” negar que esses episódios acontecem, e a conservação precisa considerar as situações em que pessoas e felinos se encontram, em vez de tratar as comunidades como separadas da vida selvagem.

O mesmo problema atinge outros grandes felinos. O’Neill, que pesquisa para a organização de conservação Panthera, estuda há anos onças-pintadas, pumas e leopardos-das-neves. Segundo ele, a imagem popular desses animais vivendo em regiões remotas pode esconder o quanto suas vidas se cruzam com a rotina humana.

Para ele, proteger tigres vai além de estudar seu comportamento ou preservar habitats. “Ajudar essas pessoas é como você ajuda a conservação dos tigres”, disse, ao lembrar que quem convive com esses predadores de topo também arca com os custos dessa convivência.

A segunda parte de “Tiger Island” vai ao ar na quarta-feira (28), às 0h30, no canal PBS dos Estados Unidos.

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