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Aparência dos denisovanos era distintiva, revela nova análise de crânios

Análise de crânios e proteínas antigas indica que os denisovanos tinham traços únicos e reforça sua identidade como grupo humano distinto.

Por Roberto Andrade ·
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Aparência dos denisovanos era distintiva, revela nova análise de crânios
Arte: Repórter Capixaba

Um novo estudo publicado em 21 de outubro na revista Nature indica que a aparência dos denisovanos era distinta da de outras espécies humanas antigas. A pesquisa analisou crânios e proteínas de fósseis encontrados no sítio arqueológico de Xujiayao, no norte da China, e apresentou uma nova reconstrução facial de um homem denisovano.

Os denisovanos foram um grupo de humanos antigos que viveu na Ásia e desapareceu há cerca de 30 mil anos. Eles só foram identificados em 2010, a partir do DNA de um osso de dedo encontrado em uma caverna na Sibéria.

Os ossos e dentes de Xujiayao foram escavados no fim da década de 1970, muito antes de os cientistas conhecerem a existência dos denisovanos. Na época, os fósseis, com idade estimada entre 138 mil e 199 mil anos, foram atribuídos a neandertais ou a formas arcaicas de Homo sapiens, por causa do formato e da idade.

O avanço que permitiu a nova identificação foi a paleoproteômica, técnica que estuda proteínas de ossos e dentes. Essas proteínas se preservam por mais tempo do que o DNA e carregam variantes genéticas que diferenciam os denisovanos de outros grupos humanos antigos.

Os pesquisadores analisaram 20 restos de Xujiayao e concluíram que todos pertenciam a denisovanos. Com essa confirmação, foi possível estudar com mais detalhe a forma dos crânios e estimar como esses indivíduos poderiam ter sido.

Segundo o estudo, os crânios tinham características semelhantes às do Homo erectus, como uma caixa craniana baixa e larga e ossos cranianos espessos. Ao mesmo tempo, os pré-molares, dentes localizados entre os caninos e os molares, se pareciam mais com os de neandertais e humanos modernos.

Os cientistas também identificaram traços exclusivos dos denisovanos. A parte de trás do crânio, por exemplo, era mais vertical e menos arredondada do que nos neandertais e nos humanos modernos.

Com esse padrão em mãos, a equipe comparou os fósseis com restos do Leste Asiático que alguns especialistas atribuem a outras espécies, como Homo juluensis e Homo longi. As semelhanças encontradas, segundo os autores, podem indicar que esses restos não deveriam ser separados dos denisovanos em espécies diferentes.

Para os pesquisadores, a combinação de traços apoia a ideia de que a maior parte dos fósseis do Leste Asiático do Pleistoceno Médio tardio seja de denisovanos. Isso sugere uma única linhagem humana que se adaptou a diferentes ambientes da Ásia ao longo de centenas de milhares de anos. A pesquisadora Qiaomei Fu, diretora do Laboratório de DNA Antigo do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados, da Academia Chinesa de Ciências, afirmou que ainda é possível que outras linhagens tenham existido na região nesse período.

O paleoantropólogo Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, que não participou do estudo, lembrou que os denisovanos eram geneticamente muito variados e se dividiram cedo em diferentes populações. Segundo ele, essa diversidade pode ter deixado a aparência dos denisovanos mais variada do que se supunha, o que deve surpreender à medida que surgirem mais fósseis.

A nova reconstrução mostra um homem denisovano olhando diretamente para quem observa, com cabelos escuros cobrindo parte da testa proeminente. Um estudo genético anterior sugeria que eles provavelmente tinham pele escura, cabelos e olhos castanhos. A imagem é uma ilustração artística baseada nos crânios, com semelhanças com neandertais e humanos modernos, mas com um rosto próprio.

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