Vacinação contra mpox é retomada no Rio para pessoas vivendo com HIV em maior risco
A Secretaria Municipal de Saúde retomou a vacinação contra mpox para pessoas vivendo com HIV com CD4 abaixo de 200; veja os locais e horários.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio retomou, na última sexta-feira (6), a vacinação contra mpox, com prioridade para pessoas vivendo com HIV que têm maior risco de desenvolver formas graves da doença. Nesta primeira etapa, podem se vacinar apenas pessoas com 18 anos ou mais e contagem de linfócitos CD4 inferior a 200 células/mm³.
A ampliação para outras pessoas vivendo com HIV e para usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) deve ocorrer em sequência, conforme a chegada de novas doses enviadas pelo Ministério da Saúde. Segundo o órgão, que comprou até 20 mil doses da vacina em caráter preventivo e estratégico, a imunização é indicada prioritariamente às pessoas vivendo com HIV com maior risco de agravamento, mediante levantamento prévio e agendamento.
As vacinas estarão disponíveis em cinco unidades. Os três Super Centros Cariocas de Vacinação funcionam em horários estendidos: o de Botafogo, na Rua General Severiano, 91, atende das 8h às 22h, de domingo a domingo. Os da Zona Norte, no Shopping Nova América, em Del Castilho, e da Zona Oeste, no ParkShopping Campo Grande, seguem o horário dos centros comerciais.
Também há vacinação no Centro Especial de Vacinação Dr. Álvaro Aguiar (CEVAA) e no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz (CRIE/INI), ambos de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Os dados divulgados indicam que o município do Rio concentra a maior parte dos casos: 207 dos 298 confirmados entre janeiro e 6 de novembro deste ano, sem registro de óbitos. Em 2025, foram confirmados 119 casos. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, mais de duas mil doses fornecidas pelo Ministério da Saúde serão destinadas ao município, e o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para diagnosticar, tratar e monitorar os casos.
A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus, que costuma começar com erupções na pele, manchas que viram bolhas e depois formam crostas. Os sintomas aparecem com mais frequência no rosto, nas mãos, nos pés, na boca e na região genital, além de ínguas na virilha. Segundo a infectologista Carolina Lázari, pessoas que cuidam de pacientes e têm contato diário com eles também podem se contaminar.
Para reduzir o risco, o infectologista Rafael Galliez, do Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, orienta evitar o contato direto com pessoas que apresentem lesões suspeitas e procurar uma unidade de saúde diante de possíveis sintomas. Além das lesões na pele, podem surgir aumento dos gânglios linfáticos, febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e cansaço. A transmissão ocorre por contato íntimo e por gotículas respiratórias.
Carolina Lázari lembrou que o Brasil registrou 10.821 casos na epidemia de 2022 e que, em 2024, um surto grave na República Democrática do Congo, causado por uma nova variante, levou a Organização Mundial da Saúde a declarar Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Para a especialista, não há, no momento, necessidade de vacinação em massa, pois as medidas preventivas adotadas pelo Ministério da Saúde vêm se mostrando eficazes. A Secretaria de Estado de Saúde informou que vai emitir nota técnica com critérios e definições para orientar os municípios e que organiza treinamento das equipes das prefeituras responsáveis pela identificação e encaminhamento dos casos.



