Vitória, sexta-feira 6 de novembro de 2026
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Casos de dengue 2027: país pode chegar a 860 mil casos prováveis

Projeção aponta cerca de 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, com pico em abril, em cenário semelhante ao de 2025 e 2026.

Por Roberto Andrade ·
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Casos de dengue 2027: país pode chegar a 860 mil casos prováveis
Foto: Warawan/Adobestock

Os casos de dengue 2027 previstos para o Brasil devem ficar em patamar parecido ao dos dois últimos anos, segundo projeções apresentadas nesta sexta-feira (6) no webinário Preparação para a temporada de dengue 2027. O país pode chegar a 860 mil casos prováveis, cenário que pede atenção redobrada das equipes de saúde.

O encontro foi promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pela Fundação Getulio Vargas (FGV), pelo Mosqlimate e pelo InfoDengue, entre outras instituições. As estimativas fazem parte de um relatório elaborado por 130 especialistas de oito países para o Ministério da Saúde.

Segundo o estudo, o intervalo de incerteza de 80% vai de 560 mil a 1,6 milhão de casos, com pico previsto de 40 mil casos em abril de 2027. Para comparação, em 2025 o país registrou cerca de 1,66 milhão de casos prováveis, de acordo com o Ministério da Saúde.

As previsões vêm do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate, iniciativa que reúne pesquisadores de diferentes países para projetar, de forma aberta e comparável, a evolução da doença. Nesta terceira edição, 27 equipes de oito países usaram os mesmos dados e as mesmas regras, e o conjunto de 22 modelos tende a ser mais confiável do que qualquer modelo isolado.

Um dos pontos de atenção é o El Niño. Apesar da expectativa de um super El Niño no verão, três modelos que incluem variáveis climáticas divergem entre si, o que torna incerto o tamanho do efeito. Por isso, os pesquisadores recomendam tratar o fenômeno como gatilho de contingência, e não como base quantitativa para o planejamento.

Pelas projeções, há tendência de alta de casos prováveis em relação à temporada anterior nos estados do Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Nos demais estados, o cenário é próximo ou inferior ao da temporada anterior, mas todos devem manter a vigilância epidemiológica.

A projeção também inclui a Chikungunya, transmitida pelo mesmo mosquito Aedes aegypti e capaz de causar febre e dores intensas nas articulações. Para a próxima temporada, o modelo aponta mais de 90 mil casos prováveis no país, ante 127 mil na temporada de 2024-25 e 76 mil na de 2025-26.

No caso do Espírito Santo, o estado não entrou nas projeções por inconsistências nos dados de notificação de casos, segundo os especialistas.

A prevenção continua sendo a principal forma de reduzir os casos de dengue e de Chikungunya. Recomenda-se eliminar a água parada em vasos, pneus, calhas e outros recipientes e procurar atendimento ao primeiro sinal de febre, dor no corpo ou manchas na pele.

Os pesquisadores ressaltam que as projeções não substituem a vigilância de rotina, mas ajudam gestores de saúde a se anteciparem à evolução da doença.

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