Vitória, sexta-feira 6 de novembro de 2026
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Polvos atravessam pequenos buracos com o corpo, e cientistas ficam impressionados

Pesquisadores analisaram como polvos-comuns passam por aberturas menores que a distância entre os olhos e o que isso pode ensinar à robótica.

Por Roberto Andrade ·
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Repórter Capixaba

Polvos atravessam pequenos buracos com o corpo, e não é novidade para quem convive com esses animais: eles costumam escapar de aquários por frestas estreitas e encontram abrigo nos lugares mais improváveis. Agora, um estudo publicado no Journal of Experimental Biology investiga como eles fazem isso, e os resultados podem interessar à robótica.

O principal limite para essa façanha não é o tamanho do corpo, e sim o bico, que é duro, e a capacidade de contorcer os braços e o manto, que são muito flexíveis. Como não têm esqueleto rígido, os polvos conseguem se deformar de maneiras extremas.

A pesquisa é uma colaboração entre especialistas em cefalópodes da Itália e da Áustria e engenheiros do Centro de Robótica Avançada da Universidade Nacional de Singapura. A equipe acompanhou três polvos-comuns (Octopus vulgaris) ainda jovens, não totalmente adultos, enquanto eles passavam por furos de tamanhos diferentes.

Os pesquisadores gravaram vídeos e separaram os movimentos em primitivas motoras, que são os blocos básicos de movimento controlados pelo sistema nervoso e podem ser combinados em diferentes ações. O conceito nasceu na neurociência e hoje também é usado na robótica.

Quando a abertura era relativamente grande, os polvos seguiam uma sequência de três etapas: primeiro sondavam o buraco com os braços, depois deslocavam os braços e, por fim, passavam o corpo de uma vez. Um braço ia na frente, geralmente um dos dois da frente do lado esquerdo, seguido de até cinco dos demais. Em seguida, apoiavam-se com as ventosas nos braços que já tinham atravessado e empurravam a parede ao redor do furo.

Quando o buraco era menor, a etapa final se dividia em duas, em uma estratégia de quatro etapas: primeiro os braços restantes e só depois o manto, separadamente. Passar a cabeça e o manto parece ser a parte mais delicada, já que ali ficam órgãos vitais, como os três corações, o sistema digestivo e o cérebro em formato de rosca que envolve o esôfago.

O sistema nervoso central do animal fica protegido por uma bainha rígida de cartilagem, e os cientistas a usaram como referência para estimar o tamanho do buraco que um polvo consegue atravessar. Os polvos-comuns conseguiram passar por aberturas um pouco menores que a distância entre os olhos.

Os vídeos mostram os animais contraindo a musculatura para deformar o manto enquanto se espremem por esses vãos. Para a equipe, esses movimentos podem inspirar robôs moles usados em buscas e resgates. Hoje, esses equipamentos costumam ter formato de cobra para atravessar frestas, e um desenho inspirado no polvo poderia acomodar mais sensores e manipuladores, com mais adaptabilidade durante as missões.

Segundo os autores, entender essas estratégias ajuda a explicar como os polvos se adaptam às limitações do ambiente e pode orientar a criação de robôs de corpo mole capazes de superar obstáculos em locais complexos.

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