Vitória, sexta-feira 6 de novembro de 2026
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Papa Leão XIV inicia viagem à América Latina semanas após cirurgia no pulmão

Papa Leão XIV começa viagem de 12 dias por Uruguai, Argentina e Peru cerca de três semanas após operação para retirar tumor no pulmão.

Por Roberto Andrade ·
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O Papa Leão XIV inicia uma longa viagem à América Latina cerca de três semanas após ser operado de um câncer de pulmão. O roteiro de 12 dias inclui Uruguai, Argentina e Peru, e tem um destaque especial no Peru, país onde ele atuou como padre por muitos anos.

Segundo o Vaticano, não há medidas extraordinárias relacionadas à saúde do pontífice. Em um encontro com jornalistas em Roma, antes da partida, a porta-voz da Santa Sé descreveu o papa como um homem de 71 anos que passou por uma operação, e não alguém com “condição médica permanente”.

O próprio Leão XIV revelou no mês passado que médicos encontraram um tumor durante um exame de rotina. Segundo a equipe médica, o tumor foi retirado junto com o lobo inferior do pulmão direito, e a doença não havia se espalhado.

A porta-voz afirmou que o papa tem “resistência fantástica” e está “extremamente entusiasmado” com a agenda, que, de acordo com ela, foi confirmada pessoalmente por ele, sem alterações.

Para o professor Massimo Faggioli, da Universidade Villanova, a mensagem do Vaticano é de que o episódio foi breve e a rotina já foi retomada. Ele lembra que, desde a cirurgia, o papa voltou a fazer discursos e audiências. “Ele parece em ótima forma. Isso era importante.”

A viagem exige muito fôlego, com voos de longa distância e trechos internos que percorrem milhares de quilômetros, da Amazônia aos Andes. O primeiro destino é o Uruguai, onde o número de católicos caiu de forma acentuada nos últimos anos. A visita é a primeira de um papa ao país em quatro décadas.

Na Argentina, terra natal do papa Francisco, antecessor de Leão XIV, a visita é vista como uma homenagem. O padre Fernando Laguna, reitor da Santa Maria Addolorata, igreja nacional argentina em Roma, afirma que Francisco nunca esteve no país como papa. Para acompanhar os principais momentos da viagem, a igreja vai instalar um telão para os fiéis.

Esta etapa, que inclui encontros com chefes de Estado e eventos religiosos, deve ser a mais sensível do ponto de vista político. O presidente Javier Milei já chamou Francisco de “mal na terra” e de “comunista”, e os bispos argentinos criticaram os cortes de gastos sociais do governo. Ainda assim, Milei saudou a chegada do papa em uma publicação na rede X, em que disse que o país aguarda o pontífice “com imensa alegria”. Milhões de pessoas devem comparecer para recebê-lo.

O ponto alto da viagem fica para o final, no Peru. Nascido nos Estados Unidos como Robert Prevost, Leão XIV viveu quase 20 anos no país, em períodos alternados, e tem cidadania peruana. A agenda inclui a diocese de Chiclayo, onde foi ordenado bispo em 2014 e permaneceu até ser transferido para o Vaticano, quase uma década depois. Também está prevista uma missa em Cusco, antiga capital do Império Inca, a mais de 3.000 metros de altitude, antes de uma parada em Pucallpa, na Amazônia.

Nos três países, o Vaticano informa que o papa terá encontros com sobreviventes de abusos sexuais cometidos por clérigos, tema que marcou a visita de Francisco ao Chile e ao Peru, em 2018.

Para Faggioli, a viagem marca a retomada da relação do papado com a região após Francisco, cujas visitas nem sempre foram tranquilas. Ele também destaca a preocupação com a democracia em parte do continente. O próximo passo mais aguardado, segundo o professor, é uma visita aos Estados Unidos, o que levanta a dúvida sobre o momento, já que o papa certamente quer ir, mas a viagem poderia ocorrer enquanto o presidente Donald Trump ainda estiver no cargo.

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