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Pesquisa em museus revela novas espécies de bandicoot na Austrália

Estudo de dez anos com espécimes de museus identifica duas espécies de bandicoot, uma já extinta, e amplia a área histórica do quenda na Austrália.

Por Roberto Andrade ·
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Uma investigação de dez anos em coleções de museus identificou novas espécies de bandicoot, pequenos marsupiais australianos. Os pesquisadores descreveram duas espécies até então desconhecidas pela ciência e ampliaram o alcance histórico conhecido do quenda, um dos mais conhecidos do grupo.

O trabalho analisou centenas de exemplares históricos e atuais, guardados em museus de vários países. Segundo os autores, o estudo levou ao reconhecimento de duas espécies adicionais e de várias subespécies do gênero Isoodon, conhecido popularmente como bandicoots de focinho curto. A pesquisa foi publicada no Australian Journal of Taxonomy.

Os bandicoots têm o tamanho aproximado de um coelho e são encontrados na Austrália e na Nova Guiné. Possuem focinho longo e pontudo, patas traseiras grandes e cauda curta, e escavam o solo com as patas dianteiras para buscar alimento. A maioria é onívora e se alimenta de fungos, raízes e pequenos invertebrados.

Algumas espécies seguem em declínio por causa da perda de habitat, de mudanças nos padrões de queimadas e de predadores introduzidos. Na Austrália, várias espécies desapareceram desde a chegada dos colonizadores europeus, e outras já estão classificadas como vulneráveis ou em perigo.

A pesquisa começou em 2016, quando um dos autores estudou exemplares coletados há mais de 100 anos em museus da Europa e dos Estados Unidos. Ao compará-los com o material guardado em museus australianos, a equipe percebeu que as classificações existentes podiam não estar corretas, o que motivou um projeto maior.

Os cientistas visitaram museus de todo o país e coletaram medidas e amostras genéticas de exemplares da Austrália e da Nova Guiné. Com análise de DNA e medições detalhadas do crânio, reavaliaram o parentesco entre as populações e identificaram espécies e subespécies antes não reconhecidas.

Entre as descobertas mais importantes está o bandicoot-marrom-pequeno (Isoodon microtis), descrito a partir de exemplares do Sul da Austrália. Segundo os pesquisadores, a espécie deve ter sido extinta cerca de um século atrás, e seus espécimes ficaram esquecidos por gerações em coleções de museus. Já o bandicoot-marrom-da-Nova-Guiné (Isoodon moresbyensis), antes tratado como subespécie, passou a ser considerado uma espécie própria.

Para os autores, a descoberta de uma espécie extinta traz sentimentos mistos, já que um mamífero australiano único desapareceu antes mesmo de a ciência reconhecê-lo.

A revisão também mudou a compreensão sobre a diversidade do Sul da Austrália. Até então, acreditava-se que apenas uma espécie vivia na região. Agora, os cientistas afirmam que ali existiram três espécies: o bandicoot-marrom-do-sul, o bandicoot-marrom-pequeno e o quenda.

O quenda era visto como espécie da Austrália Ocidental, mas os pesquisadores constataram que ele também viveu nos arredores de Adelaide, na Ilha Kangaroo e no Arquipélago de Nuyts. Segundo o estudo, trata-se de uma grande expansão para leste da distribuição histórica da espécie.

Além das espécies, a equipe descreveu novas subespécies: duas do bandicoot-dourado, quatro do quenda e uma do bandicoot-marrom-do-norte, encontrada no Cabo York, em Queensland. No conjunto, os resultados indicam que o continente abrigou uma variedade de bandicoots maior do que se imaginava.

Na prática, a classificação das espécies orienta a avaliação do risco de extinção e a destinação de recursos para conservação. Segundo os autores, o alcance mais amplo do quenda sugere que a espécie pode estar menos ameaçada do que se pensava, mas suas populações no Sul da Austrália seguem pequenas e precisam de proteção. Já a distribuição mais restrita do bandicoot-marrom-do-sul indica risco ainda maior.

Com os bandicoots de focinho curto concluídos, a equipe passa para a próxima etapa, voltada aos bandicoots de focinho longo, do gênero Perameles, em que cinco espécies já desapareceram desde a colonização europeia. Para os pesquisadores, ainda há descobertas à espera nas gavetas de museus, na Austrália e em outros países.

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