Vitória, sábado 7 de novembro de 2026
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Estatueta de sacerdotisa com 1.500 anos é encontrada no Japão

Peça de argila de cerca de 40 centímetros foi achada em um túmulo do período Kofun, na província japonesa de Gunma.

Por Roberto Andrade ·
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Estatueta de argila de uma figura feminina sentada, com vestes marrom-avermelhadas e cabelo escuro, em meio a um cenário de terra e vegetação verde, sob um céu claro de tons quentes.
Ilustração: Repórter Capixaba

Uma estatueta de sacerdotisa feita de argila, com cerca de 1.500 anos, foi encontrada em um túmulo no Japão e pode representar uma antiga sacerdotisa do xintoísmo, religião tradicional do país. A peça, com aproximadamente 40 centímetros de altura, foi localizada no sítio de Nishikaminomiya, na província de Gunma, a noroeste de Tóquio.

A descoberta faz parte de uma investigação arqueológica iniciada em 2020 no local de um conjunto de túmulos conhecidos como kofun, construídos entre os séculos 5 e 6. A estatueta foi encontrada neste ano, durante escavações no túmulo principal da área.

Segundo o governo da província de Gunma, a peça preservou apenas a cabeça e o torso, e provavelmente era originalmente maior. Ela foi achada em um fosso ao redor de um túmulo de aproximadamente 45 metros de diâmetro.

Os pesquisadores acreditam que a figura estivesse posicionada perto de um sarcófago em formato de barco, também encontrado no local. Com o tempo, ela pode ter escorregado pela encosta do túmulo até cair no fosso.

A peça pertence à categoria dos haniwa, esculturas de argila usadas como oferendas funerárias no período Kofun, que vai de cerca de 300 a 710 d.C. Essas figuras eram colocadas ao redor dos túmulos e podiam representar pessoas, animais e objetos.

Especialistas associaram a estatueta a uma miko, sacerdotisa que atuava em cerimônias religiosas e rituais funerários no xintoísmo e era vista como intermediária entre o mundo humano e o espiritual. Entre os detalhes que sustentam essa leitura estão o penteado tradicional shimada, com um coque no alto da cabeça, e um bastão ritual que a figura segura na mão esquerda.

A peça também tem pulseiras nos dois pulsos, feitas de argila e pigmento vermelho, além de uma faixa vermelha pintada no torso. Os dedos foram cuidadosamente moldados, e o nariz proeminente chama a atenção dos pesquisadores.

Em comunicado, representantes do governo da província de Gunma afirmaram: “Esses detalhes sugerem que foi tomado um cuidado considerável na confecção da figura, mesmo em características que não seriam visíveis à distância”.

Durante o período Kofun, os túmulos abrigavam membros da elite japonesa, e as esculturas faziam parte dos rituais funerários. Por isso, achados como este ajudam a entender as crenças, a organização social e as práticas religiosas das comunidades que viviam no Japão naquela época.

Atualmente, a estatueta está em exposição no Museu de Informações sobre Escavações do Centro de Pesquisa Arqueológica da Prefeitura de Gunma, na cidade de Shibukawa.

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