Ataques russos na Ucrânia atingem rede elétrica e deixam consumidores sem luz
A Rússia atacou a infraestrutura energética da Ucrânia neste sábado, deixando consumidores sem luz e atingindo a Ponte Norte, em Kiev.
Novos ataques russos na Ucrânia atingiram neste sábado (7) a infraestrutura de energia do país e provocaram cortes de eletricidade em diversas regiões. A ofensiva, de grandes proporções, reacende o temor de um inverno marcado por apagões e pela falta de serviços essenciais.
Segundo o Ministério da Energia ucraniano, os bombardeios danificaram instalações de transmissão e distribuição nas regiões de Dnipropetrovsk, Donetsk, Kiev, Jitomir e Kharkiv. O governo não divulgou quantas residências ficaram sem fornecimento.
Na região da capital, as autoridades relatam danos significativos a instalações energéticas, o que compromete o abastecimento de eletricidade em Kiev e nos arredores. Equipes de emergência e trabalhadores do setor foram mobilizados para restabelecer os serviços, mas os reparos são dificultados pelos sucessivos alertas de ataque aéreo em diferentes partes do país.
O presidente Volodymyr Zelensky informou que a ofensiva envolveu o lançamento de 36 mísseis balísticos e 172 drones, e que ao menos nove pessoas ficaram feridas, entre elas uma criança. Segundo ele, os ataques atingiram cerca de dez regiões e tiveram como alvo principal o sistema energético nacional, considerado estratégico para os serviços básicos durante os meses mais frios.
Em Kiev, os danos foram além da rede elétrica. De acordo com o prefeito Vitali Klitschko, a Ponte Norte, uma das principais ligações viárias da cidade sobre o rio Dnieper, foi atingida, e o trânsito no local precisou ser interrompido.
A estrutura já tinha sido alvo de um ataque em outubro. Desde então, a prefeitura instalou redes de proteção contra drones, medida inédita na capital desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022. Klitschko classificou a situação energética da cidade como “extremamente difícil”, com impacto direto sobre o aquecimento e o abastecimento de água.
Zelensky também pediu mais apoio de Washington. “Esperamos que o Congresso americano dedique uma atenção ainda maior à Ucrânia, porque a Rússia continua intensificando seus ataques”, declarou. Para ele, a nova onda de bombardeios busca pressionar política e militarmente o país às vésperas de uma reunião prevista para os dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, com representantes da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Rússia para discutir a retomada das negociações diplomáticas.
Moradores de Kiev relatam o impacto no dia a dia. A moradora Iryna afirmou: “Não temos luz nem aquecimento de forma regular. É realmente deprimente”. Já Oleksandr, que morou em Mariupol, cidade devastada pela guerra, descreveu a falta de luz e a água quente irregular com resignação: “Mas, depois do que vivi em Mariupol, isso se tornou apenas mais uma dificuldade da rotina”.
A crise também provoca divergências dentro do próprio país. Nas últimas semanas, Klitschko passou a ser criticado pela preparação da capital para enfrentar os ataques, e o próprio Zelensky afirmou recentemente que Kiev está entre as cidades menos preparadas do país para lidar com a ofensiva contra a infraestrutura energética.
Enquanto as equipes trabalham nos reparos, milhões de ucranianos se preparam para mais um inverno sob a ameaça de novos bombardeios, cortes de energia e dificuldades no acesso a serviços básicos. Desde o início do conflito, a Rússia tem atacado usinas, subestações e redes de distribuição, o que já causou interrupções recorrentes de eletricidade, aquecimento e água em várias cidades.



