Armário de madeira selado em Pompeia há quase 2 mil anos é aberto pela primeira vez por arqueólogos
Arqueólogos abriram um armário de madeira encontrado em uma casa de Pompeia, com moedas, joias, utensílios e um colar de amuletos deixados para trás na erupção do Vesúvio.
Arqueólogos abriram pela primeira vez um armário de madeira encontrado em uma casa de Pompeia, cidade romana soterrada pela erupção do Monte Vesúvio. Segundo o Parque Arqueológico de Pompeia, o móvel guardava objetos úteis e pertences pessoais, como uma lamparina de bronze, um colar com pelo menos duas dúzias de amuletos em miniatura e um conjunto de 38 moedas.
Os itens foram encontrados na Casa de Cornélio Máximo, edificação no centro de Pompeia escavada pela primeira vez em 1912 e localizada em uma das ruas mais movimentadas da cidade. Pela quantidade de objetos de valor deixados para trás, os pesquisadores suspeitam que os moradores tenham saído às pressas, possivelmente durante a erupção do Vesúvio, ocorrida em 79 d.C. Os moradores nunca mais voltaram para buscar seus pertences.
As moedas de bronze são, em sua maioria, da época do imperador romano Nero, que governou entre 54 e 68. Já os afrescos que decoram os cômodos correspondem ao quarto estilo da pintura mural romana, popular entre 20 e 79, o que ajuda a situar a construção no tempo.
Entre os objetos ligados à higiene e à beleza estão uma pinça, um almofariz usado para preparar pigmentos de maquiagem e um frasco de vidro que guardava perfume ou óleos aromáticos. Segundo a historiadora Pilar Pavón, esse tipo de item se enquadra no chamado mundus muliebris, termo latino que se refere a objetos de cuidado pessoal e adorno das mulheres romanas.
Também foram encontrados recipientes de bronze, vidro e cerâmica, provavelmente usados no preparo e no consumo de alimentos, além de uma caixa de madeira com oito pesos de chumbo, que pode ter pertencido a um comerciante. A casa também parece ter tido um problema com roedores: dentro de uma ânfora, os pesquisadores identificaram 117 fragmentos de ossos que provavelmente eram de camundongos do campo.
O destaque da escavação é o colar, um tipo de joia conhecido como crepundia. Segundo os pesquisadores, pais romanos costumavam presentear as crianças com esses colares, escolhendo cuidadosamente os amuletos para dar-lhes significado pessoal e facilitar a identificação caso se perdessem. Os amuletos são feitos de faiança, osso, pasta de vidro e cristal, e representam divindades como o deus romano Mercúrio e o deus egípcio Bes, além de mãos, pés, pinhas e cachos de uvas.
Os pesquisadores não sabem ao certo quem era o dono do colar. Ele pode ter pertencido a um adulto que o recebeu na infância e o guardou como lembrança, ou a uma criança que vivia na casa. O diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, Gabriel Zuchtriegel, afirmou que a descoberta permite ler, em conjunto, os vestígios de hábitos pessoais, trabalho e memórias daquela família.
Ainda há muitas dúvidas sobre a casa e seus antigos moradores. Evidências encontradas no local indicam que o imóvel passava por reformas quando o Vesúvio entrou em erupção, mas não se sabe se as obras influenciaram as chances de sobrevivência da família. Segundo Zuchtriegel, o armário é único: não há outro igual, o que o torna especial para a compreensão do cotidiano doméstico na cidade.



