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Vacinação infantil contra covid: só 5% das crianças pequenas têm as três doses

Apenas 5% das crianças pequenas têm as três doses da vacina contra covid-19, segundo o Ministério da Saúde, que aponta a desinformação como uma das causas.

Por Roberto Andrade ·
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Vacinação infantil contra covid: só 5% das crianças pequenas têm as três doses
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A vacinação infantil contra covid segue muito abaixo do necessário no Brasil. Segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, apenas 5% das crianças pequenas do país estão protegidas com as três doses. O quadro chama atenção porque a doença ainda provoca internações e mortes de crianças neste ano.

Em 2026, a covid-19 já causou mais de 1 mil internações e 25 mortes de crianças e adolescentes. Entre as vítimas fatais, 15 tinham menos de 2 anos. Para o diretor do PNI, Eder Gatti, o país tem estoques do imunizante e contratos para manter o abastecimento, e a principal explicação para o percentual baixo está nos ataques à vacina feitos durante a pandemia, inclusive por integrantes do governo da época.

Gatti afirma que o Ministério cumpre sua parte: “A gente compra as vacinas, distribui e cumpre nossa obrigação constitucional, só que há o desincentivo da população para se vacinar.” Segundo ele, parte das perdas de doses atuais é atribuída ao discurso contrário às vacinas.

Desde 2024, a vacina faz parte do calendário básico, com doses aos 6, 7 e 9 meses de idade, mas a aplicação também pode ser feita antes dos 5 anos. Mesmo assim, muitas famílias deixam de vacinar os filhos por acreditar em informações falsas sobre o imunizante.

Uma pesquisa do IBGE de 2023 mostra o peso desse cenário. Naquele ano, 15% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos não haviam sido vacinados contra a covid-19. Entre os responsáveis ouvidos, quase 40% citaram medo de reação adversa ou de injeção, 22% achavam a vacina desnecessária e 18% disseram não confiar no imunizante.

A vacina tem uma particularidade de armazenamento: os frascos ficam congelados e precisam ser descongelados antes da aplicação. Depois de descongelada, a validade cai para dez semanas, e a dose que não for usada nesse prazo deve ser descartada.

Eder Gatti rebate as dúvidas mais comuns. Segundo ele, as plataformas de RNA mensageiro e de vetor viral trouxeram inovações, mas todas as vacinas passaram pelas fases 1, 2 e 3 de testes, e há estudos de fase 4 que confirmam a eficácia e a segurança. Todas as vacinas do SUS são monitoradas continuamente, e qualquer suspeita de reação grave é investigada. Entre as mais de 6 milhões de doses aplicadas em crianças na pandemia, não houve registro de óbito, e 92% das reações notificadas foram leves, como febre e dor no local da aplicação.

O Ministério da Saúde também destaca que reações raras, como miocardite e trombose, ocorrem em proporção muito maior em pessoas infectadas pela covid-19 do que em vacinadas. Gatti lembra ainda que a vacina contra a covid é a mais estudada da história, com cerca de 20 mil trabalhos científicos, número bem superior ao de outras vacinas.

Desde 2024, com a maior parte da população adulta já vacinada, o governo passou a focar a imunização em crianças e em grupos vulneráveis, como idosos, imunocomprometidos e pessoas com deficiência, que devem tomar reforços periódicos.

A cobertura dos demais imunizantes infantis vem melhorando. Em 2022, 12 das 16 vacinas do primeiro ano de vida estavam abaixo de 80%. No ano passado, sete passaram de 90%. Ainda assim, duas continuam abaixo de 80%, e a segunda dose da tríplice viral, que protege contra o sarampo, segue entre as que precisam avançar.

O orçamento do programa quase dobrou nos últimos anos, de R$ 5 bilhões para quase R$ 10 bilhões previstos para o próximo ano. Gatti afirma que o PNI traz retorno à sociedade, com menos sobrecarga do sistema de saúde, e defende que o programa seja preservado.

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