Supernova de 850 anos que parece um fogo de artifício revela nós misteriosos em seus filamentos
Novas imagens do remanescente da supernova SN 1181 mostram filamentos formados por cadeias de nós de gás, e não por faixas lisas.
Uma supernova observada há cerca de 850 anos continua revelando segredos. Novas imagens do remanescente Pa 30, considerado o resto da supernova conhecida como SN 1181, mostram que seus filamentos em formato de fogo de artifício não são fluxos lisos de material, e sim cadeias de pequenos nós de gás.
A SN 1181 recebeu esse nome porque astrônomos da China e do Japão registraram seu aparecimento em 1181, quando ela era visível a olho nu na constelação de Cassiopeia. Oito textos antigos sobreviventes datam sua aparição entre 4 e 6 de agosto daquele ano, e o objeto permaneceu visível por 185 dias. Hoje, o remanescente está a cerca de 7.500 anos-luz da Terra.
Segundo a equipe de pesquisadores liderada por Timothy Cunningham, professor assistente de astronomia e astrofísica da Universidade de Warwick, poucas supernovas da Via Láctea podem ser datadas com tanta precisão. A SN 1181 é uma de apenas cinco supernovas da galáxia observadas a olho nu antes da invenção do telescópio, que surgiu nos Países Baixos em 1608.
As imagens mais recentes foram obtidas pelo telescópio Gemini Norte, localizado no Mauna Kea, no Havaí. Elas mostram cerca de 10 vezes mais estruturas filamentares em Pa 30 do que as já observadas, o que dá aos astrônomos pistas novas sobre a explosão e sobre o ambiente ao redor da estrela. Para Cunningham, o resultado contrariou as expectativas: “os filamentos são formados por cadeias de pequenos nós, e não por faixas lisas”, afirmou o pesquisador ao comentar os achados publicados no periódico The Astrophysical Journal.
Segundo os cientistas, esses nós podem ter surgido de variações de temperatura ou de densidade do material que cercava a estrela, à medida que os detritos da explosão se expandiam.
Outro detalhe chama atenção: uma estrela sobrevivente está quase exatamente no centro do remanescente. Como uma supernova costuma empurrar os astros para longe de suas posições originais, a pesquisa sugere que a explosão original foi altamente simétrica.
O Pa 30 também é considerado uma supernova do tipo Iax, diferente das do tipo Ia, que destroem completamente suas estrelas. Esse tipo é uma explosão de menor energia e incompleta de uma anã branca, que pode deixar para trás um objeto chamado “estrela zumbi”. Até hoje, é o único caso desse tipo já identificado.


