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Óculos Ray-Ban Meta gravaram conversas sem comando; Meta diz que falha foi corrigida

A Meta confirmou falha que permitia aos óculos Ray-Ban Meta registrar conversas sem comando; a empresa diz que o problema foi resolvido.

Por Roberto Andrade ·
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Óculos Ray-Ban Meta gravaram conversas sem comando; Meta diz que falha foi corrigida
Foto: CCadio / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A Meta confirmou uma falha nos óculos Ray-Ban Meta que permitia aos aparelhos registrar conversas mesmo sem o comando de ativação “Hey Meta”. Os áudios captados apareciam depois no aplicativo Meta AI, acompanhados de transcrições em texto.

Os relatos começaram a circular no Reddit após uma atualização recente de firmware dos óculos. A companhia não explicou o que provocou as gravações, mas afirmou que o problema foi resolvido e que os usuários podem revisar, gerenciar e excluir os registros de voz pelas configurações do Meta AI a qualquer momento.

Um dos casos relatados envolve um usuário que diz ter encontrado conversas gravadas mesmo com o recurso “Respond without Hey Meta” desativado. Segundo ele, a luz branca indicadora chegou a acender durante algumas dessas gravações. O LED sinaliza quando determinados recursos de captura estão em funcionamento, por isso tem sido o ponto central dos mecanismos de segurança do dispositivo.

O proprietário afirma que o suporte da Meta orientou desativar permissões de câmera e microfone, a detecção de uso dos óculos, apagar o histórico de comandos e interromper temporariamente as atualizações automáticas. Ainda segundo ele, essas medidas comprometeriam algumas das principais funções do aparelho. Ele também disse estar conversando com advogados sobre uma possível ação coletiva contra a empresa.

O caso se soma a outras polêmicas de privacidade. Há usuários que aproveitam a discrição da câmera dos óculos para gravar pessoas sem consentimento e publicar o conteúdo nas redes sociais. Além disso, há relatos de trabalhadores terceirizados que revisavam gravações feitas pela inteligência artificial dos aparelhos e afirmam que a câmera teria captado pessoas em situações privadas, incluindo relações sexuais. Segundo esses relatos, o material era analisado durante o treinamento de sistemas de IA da Meta.

Diante das críticas, a empresa tem atualizado seus mecanismos de segurança, sobretudo em relação ao LED. Atualmente, os óculos bloqueiam gravações quando o sistema identifica que a luz está coberta ou danificada. Em setembro, a Meta informou que desativou 0,1% dos óculos vendidos, que estariam adulterados.

No Brasil, os óculos são vendidos com preços a partir de R$ 3.699. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já os incluiu entre os itens proibidos nas cabines de votação, e o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) acionou o Ministério Público Federal para que seja investigado o risco dos dispositivos. Em outros países, a discussão também gira em torno de restrições ao uso em determinados espaços.

A companhia não detalhou a causa técnica das gravações, o que mantém em aberto a discussão sobre a privacidade de quem usa os óculos e de quem está ao redor deles.

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