Vitória, sexta-feira 30 de outubro de 2026
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Efeitos dos antihistamínicos: nem todos são iguais e alguns atingem mais o cérebro

Antialérgicos de primeira geração causam mais sonolência e efeitos no cérebro do que os mais novos, mas os medicamentos variam bastante entre si.

Por Roberto Andrade ·
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Silhueta de cabeça azul com o cérebro destacado em tons claros, cercada por duas cápsulas de remédio em cores laranja e verde-azulada, sobre fundo azul claro.
Ilustração: Repórter Capixaba

Milhões de pessoas usam antihistamínicos para tratar alergias, mas os efeitos dos antihistamínicos variam bastante de um medicamento para outro. Alguns causam sonolência, deixam os reflexos mais lentos e prejudicam a concentração, enquanto outros têm impacto muito menor sobre o cérebro. Entender essa diferença ajuda a escolher um tratamento que não atrapalhe o dia a dia.

Os antihistamínicos bloqueiam a histamina, substância liberada pelo sistema imunológico durante uma reação alérgica. É ela que provoca coceira, espirros, olhos lacrimejando e coriza.

Os primeiros antihistamínicos surgiram na década de 1940. Clorfeniramina, difenidramina e prometazina fazem parte da chamada primeira geração e ainda são encontradas em remédios para alergia, resfriados e para dormir.

Nas décadas de 1980 e 1990, chegaram os medicamentos de segunda geração, como loratadina, cetirizina e fexofenadina. Eles foram desenvolvidos para causar menos efeitos colaterais, sobretudo sonolência.

A diferença está no cérebro. Os antihistamínicos mais antigos atravessam com facilidade a barreira hematoencefálica, uma espécie de filtro que controla o que passa do sangue para o sistema nervoso. Lá dentro, bloqueiam receptores de histamina que ajudam a manter o estado de alerta.

Estudos de imagem cerebral indicam que os medicamentos antigos bloqueiam mais receptores de histamina no cérebro do que os novos. Essa ação está associada a maior chance de sonolência, reflexos mais lentos e dificuldade de concentração.

Mesmo entre os mais recentes há diferenças. Um estudo citado na reportagem apontou que a fexofenadina ocupou cerca de 2% dos receptores no cérebro, contra 24% da cetirizina e entre 50% e 60% da clorfeniramina. Por isso, remédios apresentados como sem sonolência podem causar cansaço em algumas pessoas.

Pesquisadores passaram a ver os antihistamínicos menos como dois grupos separados e mais como um espectro. Alguns antigos têm forte efeito sobre o estado de alerta, alguns novos têm efeito leve e outros quase não atuam no cérebro.

Para algumas pessoas, o efeito sedativo é até útil. A difenidramina, por exemplo, é vendida em vários remédios para dormir sem prescrição. Mas sonolência nem sempre é inofensiva.

Esses medicamentos podem afetar atenção, memória, coordenação e tempo de reação, o que torna atividades como dirigir ou operar máquinas menos seguras. Muitas vezes a pessoa não percebe o prejuízo, já que até um cansaço leve pode deixar reflexos e concentração piores.

Para quem precisa de tratamento contínuo, os medicamentos de segunda geração costumam ser os mais indicados, por causarem menos sonolência. A cetirizina, porém, ainda pode causar sonolência em algumas pessoas, em geral com intensidade menor que a dos remédios antigos.

Além da sonolência, os antihistamínicos mais antigos costumam ter efeitos anticolinérgicos. Isso acontece porque eles também bloqueiam a acetilcolina, mensageira química que ajuda o cérebro em funções como memória, aprendizado e atenção, e que participa de outras funções do corpo.

No curto prazo, esses efeitos podem causar boca seca, visão embaçada, prisão de ventre, tontura e confusão mental. Em idosos, podem ser mais graves e aumentar o risco de quedas, internações e perda da autonomia.

Pesquisas também investigaram se medicamentos anticolinérgicos poderiam afetar a saúde cerebral. Os estudos não comprovaram que eles causem demência diretamente, mas reforçaram a orientação de evitar o uso desnecessário desses remédios, sobretudo entre pessoas mais velhas.

Mesmo assim, os antihistamínicos antigos seguem disponíveis e são usados há anos por muita gente, inclusive por quem busca o efeito sedativo para aliviar coceira ou sintomas que atrapalham o sono. Eles ainda podem ser úteis no tratamento de alergias, mas quem dirige, estuda ou usa outros medicamentos pode se beneficiar de uma opção com menor chance de sonolência.

Ao considerar os efeitos dos antihistamínicos, vale checar qual substância está no comprimido escolhido, já que remédios para os mesmos sintomas podem mudar bastante o estado de alerta. Em caso de dúvida, a orientação de um médico ou farmacêutico ajuda a definir o tratamento mais adequado.

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