Pedra rosada encontrada no Saara é um meteorito de Marte com pelo menos 4,1 bilhões de anos
Pedra rosada encontrada no Saara é um meteorito de Marte com pelo menos 4,1 bilhões de anos, uma das amostras mais antigas do planeta.
Uma pedra de tom rosado encontrada no Deserto do Saara em 2022 foi identificada como um meteorito de Marte com pelo menos 4,1 bilhões de anos, um dos mais antigos já encontrados do planeta vermelho. Segundo o estudo publicado na última quinta-feira (29) na revista Science, o objeto pesa pouco menos de um quilo.
Para entender o achado, vale lembrar como fragmentos de Marte chegam à Terra. Impactos de corpos celestes podem arrancar pedaços da superfície marciana, que são lançados ao espaço, atravessam a atmosfera terrestre sem se desfazer por completo e caem no solo. Hoje, os cientistas conhecem mais de 400 meteoritos desse tipo.
Até agora, apenas dois outros meteoritos ofereciam registros de um Marte jovem, formado há cerca de 4,5 bilhões de anos: o Allan Hills 84001, datado em 4,1 bilhões de anos, e o Northwest Africa 7034, com fragmentos de mais de 4,3 bilhões de anos. A nova amostra, chamada Teghaza 001, amplia esse conjunto de evidências.
Para descobrir a idade da rocha, a equipe analisou cristais de zircão, que contêm urânio. Como o urânio se transforma em chumbo em um ritmo conhecido, esse processo funciona como um relógio geológico. Outro método, baseado nos elementos rubídio e estrôncio, chegou a uma estimativa semelhante.
Além da idade, a composição deste meteorito de Marte chama atenção. Diferentemente dos outros dois mais antigos, ele se formou a partir de magma que esfriou e endureceu na crosta marciana, a camada mais externa do planeta. Análises químicas indicam ainda que água subterrânea alterou a rocha, reforçando estudos que apontam para um Marte que já foi bem mais úmido.
A coautora Alicia Cruz-Uribe, geoquímica da Universidade do Maine, afirma que a amostra revela uma parte diferente da história antiga do planeta, ligada ao manto e às fontes de rocha que o compunham. A presença de água é relevante porque toda forma de vida conhecida depende dela, mas os resultados não respondem se houve vida em Marte.
Segundo a NASA, o meteorito provavelmente veio das terras altas do sul de Marte, do período Noachiano, já que sua composição química coincide com o que a sonda Mars Reconnaissance Orbiter registrou ali. Foram identificados 13 possíveis locais de origem. Ainda assim, a cientista planetária Arya Udry, da Universidade de Nevada, em Las Vegas, que não participou do estudo, lembra que muitas perguntas seguem em aberto, já que não se sabe exatamente de onde a rocha saiu.
Para Udry, compreender a evolução de Marte exige trazer amostras coletadas diretamente no planeta, e não depender de fragmentos que chegam à Terra por acaso. Nesse contexto, a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial lançou no início de outubro uma sonda para recolher amostras de Fobos, uma das luas de Marte, que podem conter poeira do planeta levada por impactos.

