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Ataque ClickFix: o que é e como se proteger

Golpe ClickFix usa falsos alertas de erro para levar vítimas a executar códigos maliciosos no próprio computador.

Por Roberto Andrade ·
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Repórter Capixaba

Nesta sexta-feira (30), o chamado ataque ClickFix chama atenção por crescer no ambiente virtual. O golpe se aproveita de situações comuns do dia a dia, como problemas técnicos e verificações de segurança, para enganar as vítimas e fazê-las executar comandos no próprio dispositivo.

O funcionamento costuma começar com páginas falsas que exibem alertas de falhas no navegador, problemas em chamadas de vídeo ou testes para comprovar que o usuário não é um robô. Em seguida, a vítima recebe instruções para copiar e executar um código, sob a justificativa de corrigir o erro. Depois disso, o aparelho pode ser infectado por programas capazes de roubar senhas, dados bancários e informações de acesso a contas.

Trata-se de uma técnica de engenharia social, que explora a confiança e a pressa do usuário para instalar programas maliciosos. O nome faz referência a botões e mensagens que prometem consertar um problema, como as expressões em inglês Fix it e How to fix.

O golpe pode chegar por anúncios maliciosos, e-mails de phishing, resultados manipulados em buscas ou sites legítimos invadidos. Para pressionar a pessoa a agir rápido, os criminosos podem usar cronômetros e contagens regressivas.

Ao clicar no botão indicado, a vítima copia uma instrução maliciosa para a área de transferência e é orientada a colá-la e executá-la. No Windows, as instruções podem pedir que a pessoa pressione Win + R para abrir a janela Executar, Ctrl + V para colar o código e Enter para rodá-lo. Em macOS e Linux, a orientação pode ser abrir o Terminal e inserir o comando.

Quando isso acontece, o código roda com as permissões da conta conectada. Ferramentas nativas, como PowerShell e VBScript, podem ser usadas para baixar outros componentes maliciosos ou executar o malware diretamente na memória do aparelho.

O golpe aparece em formatos variados. Entre os mais comuns estão os falsos CAPTCHAs, que imitam verificações de robô; as falhas simuladas em reuniões virtuais, com alertas sobre microfone, câmera ou conexão em plataformas como Google Meet, Zoom e Microsoft Teams; e as mensagens de erro em navegadores e documentos, inclusive atualizações falsas do Chrome e do Edge.

Há ainda casos envolvendo ferramentas de inteligência artificial, em que GPTs personalizados compartilhados na plataforma já foram usados para direcionar usuários a executar comandos. Também circulam vídeos e tutoriais falsos no TikTok e em outras redes, que prometem liberar recursos premium. Em processos seletivos, criminosos simulam problemas na webcam para convencer candidatos a seguir instruções perigosas.

Para se proteger, a recomendação central é não executar comandos no computador para resolver erros comuns ou comprovar que a pessoa é humana. Sites, CAPTCHAs e serviços legítimos de videoconferência não exigem que o usuário abra o PowerShell, o Prompt de Comando, o Terminal ou a janela Executar.

Pedidos de atalhos como Win + R, Ctrl + V e Enter devem ser vistos como sinal de alerta. Mensagens sobre câmera, microfone, navegador ou ativação de programas também não devem ser seguidas sem checar a autenticidade. Manter o sistema e os aplicativos atualizados, com antimalware ativo, reduz os riscos.

Outras medidas incluem usar um gerenciador de senhas, que diminui a dependência do armazenamento no navegador, e ativar a autenticação multifator, que cria uma barreira extra contra acessos indevidos. Os gerenciadores não impedem todos os ataques, mas podem limitar a exposição de dados.

Se você suspeita ter executado um comando malicioso, a orientação é desconectar o dispositivo da rede para interromper possíveis comunicações com servidores controlados pelos criminosos. Depois, faça uma verificação de segurança e, havendo suspeita de comprometimento grave, procure suporte técnico antes de voltar a usar o aparelho.

Também é importante trocar as senhas em outro aparelho, começando pelas mais importantes, encerrar sessões ativas e revisar os métodos de recuperação de conta. Em dispositivos corporativos, o ideal é avisar a equipe de TI o quanto antes, para agilizar a investigação e o bloqueio do acesso.

No fim das contas, o ponto central é simples: no ataque ClickFix, a suposta solução é justamente o caminho usado pelos criminosos. Desconfiar de páginas que pedem a execução de códigos para resolver qualquer problema é a principal defesa contra esse tipo de golpe.

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