Apoio emocional com IA: quase metade dos usuários em forte sofrimento psicológico recorre a chatbots
Pesquisa com adultos de Israel aponta que quase metade dos usuários de IA em forte sofrimento psicológico recorre a chatbots para apoio emocional.
Conversar com um chatbot em momentos difíceis deixou de ser exceção. Um novo estudo mostra que, entre adultos de Israel que usam inteligência artificial generativa, quase um em cada três disse ter buscado apoio emocional com IA, orientação para lidar com problemas ou ajuda relacionada à saúde mental. Entre os que vivem sofrimento psicológico severo, a proporção chega a quase um em cada dois.
A pesquisa foi publicada na revista Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking e analisou como os estilos de apego e o sofrimento psicológico se relacionam ao uso de IA de uso geral para apoio em saúde mental. O trabalho foi liderado pela pesquisadora Dorit Hadar Shoval, da Escola de Psicologia da Universidade Tel-Hai, em Kiryat Shmona, na Galileia, em parceria com Elad Refoua, da Universidade Bar-Ilan.
Os pesquisadores ouviram 584 adultos com idades entre 18 e 70 anos que tinham usado uma ferramenta como o ChatGPT pelo menos uma vez no ano anterior. Os participantes foram recrutados em novembro de 2025 por meio de um painel online, e os números descrevem essa amostra, não a população geral.
No total, 29,3% dos participantes relataram ter usado IA ao menos uma vez para apoio emocional, orientação para lidar com problemas ou assistência relacionada à saúde mental. Entre os que apresentavam níveis severos de sofrimento psicológico, o índice foi de 47%.
Segundo o estudo, o sofrimento psicológico é a variável mais fortemente associada à busca por IA como forma de apoio. Pessoas mais jovens e mulheres também relataram esse uso com frequência significativamente maior.
Os pesquisadores analisaram ainda o apego. Pessoas com maior ansiedade de apego procuraram mais ajuda em saúde mental na IA, mas, quando o sofrimento psicológico foi levado em conta, essa ansiedade deixou de ser um preditor significativo. Como os dois fatores estão muito relacionados, o estudo não consegue dizer qual deles vem primeiro.
“Nossos achados mostram que muitas pessoas, especialmente as que vivem um sofrimento importante, estão recorrendo a sistemas de IA generativa em busca de apoio emocional e orientação”, afirmou Hadar Shoval. Ela ressaltou que essas ferramentas oferecem interações imediatas, acessíveis e sem julgamento, mas não foram criadas para atuar como prestadores de saúde mental.
Para os autores, a IA de uso geral tem se tornado uma forma informal de pedir ajuda, mediada por tecnologia. Diferentemente de psicólogos, psiquiatras ou terapias digitais específicas, esses sistemas de consumo não têm mandato clínico nem salvaguardas estabelecidas para lidar com crises psicológicas.
O estudo não avalia se as conversas com a IA ajudaram ou prejudicaram os usuários e também não determina se a ferramenta substituiu o atendimento profissional. Os dados são autodeclarados e incluem qualquer uso para saúde mental, de uma única interação a conversas mais longas.
Segundo a pesquisadora, entender a busca por apoio emocional com IA já é uma parte importante do cuidado em saúde mental moderno. Ela defende que estudos futuros tratem da segurança, da qualidade das respostas em situações de crise e de saber se a IA complementa ou, em alguns casos, substitui o apoio profissional. Quem estiver em sofrimento psicológico deve procurar um profissional de saúde mental ou os serviços de urgência disponíveis.



