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Protestos na França contra o custo de vida reúnem milhares e terminam em confrontos em Paris

Protestos contra o custo de vida reúnem de 320 mil a 500 mil pessoas na França e terminam em confrontos com a polícia em Paris.

Por Roberto Andrade ·
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Protestos na França ocorrem sob forte esquema de segurança, com 70 mil policiais
Foto: REUTERS/Abdul Saboor

Os protestos na França contra o aumento do custo de vida reuniram milhares de pessoas neste sábado (31) em várias cidades do país. Segundo as autoridades, participaram 320 mil pessoas, enquanto a Intersindical da Juventude estimou 500 mil. Os atos foram pacíficos na maior parte do território, mas tiveram tumultos durante a dispersão.

Em Paris, a tensão começou na chegada da passeata à Porte de Charenton, no 12º distrito da capital, onde policiais e manifestantes se enfrentaram. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Paris, as forças de segurança enfrentaram entre 200 e 300 manifestantes violentos, que atacaram agentes da polícia e gendarmes.

Segundo as autoridades, dezenas de pessoas mascaradas e vestidas de preto arrancaram pedras da calçada com martelos e as arremessaram contra os policiais. Também houve um coquetel molotov. Em resposta, os agentes usaram bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes, enquanto explosões eram ouvidas e uma grande nuvem de fumaça cobria a região, sob o sobrevoo de um helicóptero.

Uma coluna de furgões foi estacionada na rue de Charenton, via que dá acesso ao centro, para impedir o avanço dos manifestantes, e um caminhão com canhão de água ficou posicionado perto da Porte de Charenton, no limite da capital. A polícia pediu que os participantes não avançassem, para evitar choques.

O percurso da principal manifestação em Paris foi alterado de última hora pelo Conselho de Estado, que transferiu o trajeto do leste da cidade para um itinerário entre as portas de Bagnolet e Charenton, nos limites da capital. Para as autoridades, 70 mil pessoas participaram em Paris, de um total de 320 mil no país. Na semana anterior, o número nacional havia chegado a 410 mil.

Para o ato deste sábado, foram mobilizados 70 mil agentes das forças de segurança, reforço que, segundo o governo, foi decidido após os saques e depredações registrados em 17 de outubro. Alguns manifestantes saíram fantasiados para o Halloween e moradores acompanharam a passeata das janelas e sacadas, com cartazes que criticavam o custo de vida e a atuação policial.

Em nota publicada na rede social X, Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa (LFI, esquerda radical) e candidato à Presidência, que participou do ato em Paris, afirmou que a multidão foi tão grande quanto na semana anterior, apesar do fechamento de estações de metrô e da mudança do ponto de concentração.

Em outras cidades, também houve confrontos em Marselha, onde os policiais e manifestantes se enfrentaram em um percurso improvisado. Em Toulouse, as forças de segurança usaram canhões de água contra um protesto não autorizado, com vários milhares de participantes, a maioria jovens. Em Rennes, a prefeitura contabilizou 13,5 mil manifestantes, enquanto Estrasburgo reuniu 5 mil e Metz cerca de mil.

Em Bordeaux, a polícia registrou 11 mil pessoas, número menor que o dos dois sábados anteriores, enquanto os sindicatos estimaram 70 mil. Em Limoges, onde a prefeitura foi incendiada em 17 de outubro, cerca de 3 mil pessoas participaram, e houve também atos em Poitiers, Nantes e La Rochelle.

Um novo toque de recolher foi decretado em algumas regiões de Paris, entre 23h e 6h, para as noites de sábado para domingo e de domingo para segunda-feira. A medida também vale em outras cidades francesas. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que o Halloween não será considerado justificativa para esconder o rosto em espaços públicos com o objetivo de provocar distúrbios. A legislação permite máscaras em festas, mas as proíbe nas proximidades de manifestações consideradas sujeitas a desordens.

Os próximos atos já têm data marcada. Entidades estudantis convocaram bloqueios de escolas de ensino médio e universidades para terça e quinta-feira, e uma nova jornada de greves e protestos está prevista para 5 de novembro, por iniciativa dos sindicatos. A coordenação dos coletes amarelos, origem das mobilizações, convocou novos atos para 6 e 7 de novembro.

Esta é a terceira jornada nacional contra o aumento do custo de vida e acompanha o movimento estudantil, que pede, entre outras medidas, o fim da plataforma Parcoursup, a reforma das instituições de ensino e a contratação de mais professores. Desde meados de setembro, vários manifestantes, inclusive menores, ficaram gravemente feridos em operações de manutenção da ordem. Segundo o Ministério do Interior, 1.193 policiais e gendarmes também ficaram feridos.

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