Vitória, sábado 31 de outubro de 2026
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Burnham abre espaço para desculpas pela escravidão, mas descarta reparações financeiras

O primeiro-ministro britânico Andy Burnham admite pedido de desculpas pela escravidão, mas rejeita pagamento de reparações financeiras antes da cúpula da Commonwealth.

Por Roberto Andrade ·
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Imagem de freepik

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, disse estar aberto à possibilidade de o país apresentar um pedido formal de desculpas pela escravidão, mas afastou o pagamento de reparações financeiras. A declaração foi feita antes da cúpula da Commonwealth, prevista para a próxima semana, em que o governo britânico deve enfrentar pressões por indenizações.

Em um artigo publicado na imprensa britânica, Burnham afirmou que o Reino Unido está disposto a manter “um diálogo estruturado com aqueles afetados pelo comércio transatlântico de escravos”. O premiê também citou o papel histórico do país nesse processo como ponto de partida para o debate.

Estima-se que pelo menos 12,5 milhões de africanos tenham sido sequestrados e vendidos como escravizados entre os séculos XV e XIX, muitos deles por comerciantes europeus. Desse total, cerca de 3,2 milhões foram transportados pela Grã-Bretanha pelo Oceano Atlântico, segundo o Banco de Dados do Comércio Transatlântico de Escravos.

Apesar da abertura para um pedido de desculpas, Burnham rejeitou a ideia de compensações em dinheiro. Na mesma publicação, ele escreveu que “não creio que o povo britânico de hoje possa ser responsabilizado por erros históricos, por mais hediondos que sejam, que ocorreram numa época diferente, sob leis diferentes e nos quais não tiveram qualquer participação pessoal”.

O rei Charles, que visita o Caribe, também se manifestou antes do encontro de chefes de governo da Commonwealth, marcado para a próxima semana em Antígua e Barbuda. Segundo ele, “é justo reconhecermos o grande sofrimento e as injustiças do passado”.

A expectativa é que os líderes caribenhos pressionem por reparações que podem incluir redução de dívidas, recursos para desenvolvimento, educação e saúde, além de medidas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Burnham afirmou que pretende lançar uma nova campanha sobre a dívida dos países mais vulneráveis, com propostas para que eles quitem seus débitos em prazos mais longos e com juros menores.

O primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, recebeu com bons olhos as declarações e as propostas de apoio aos países afetados. Em publicação no Facebook, porém, ele ressaltou que a posição histórica dos países caribenhos sobre reparações segue inalterada.

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