Vitória, domingo 1 de novembro de 2026
Ano XXXV
Últimas
Tecnologia & Saúde

Ebola no Congo ultrapassa 5 mil mortes e cresce temor de expansão pela África

O surto de Ebola no Congo passou de 5.026 mortes neste sábado, e a doença já se espalhou por 67 zonas de saúde do país.

Por Roberto Andrade ·
Compartilhe:

O surto de Ebola no Congo ultrapassou a marca de 5.026 mortes neste sábado (31), segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde do país. Ao todo, 10.351 pessoas foram infectadas, com uma letalidade próxima de 50%.

Os números aumentam a preocupação de especialistas com a capacidade das autoridades de conter o vírus. O surto, causado pelo vírus Bundibugyo, foi declarado em meados de maio e pegou o governo de surpresa. Desde então, as autoridades têm enfrentado dificuldades para controlá-lo.

Pelo número de mortes, trata-se já do segundo maior surto de Ebola da história, atrás apenas da epidemia da África Ocidental entre 2014 e 2016, que matou cerca de 11 mil pessoas em vários países.

Até agora, 2.788 pessoas se recuperaram da doença. O vírus Bundibugyo não tem vacina nem tratamento conhecidos, e os profissionais de saúde atendem os pacientes de acordo com os sintomas.

Desde maio, a doença se espalhou por 67 das 178 zonas de saúde do país, em oito das 26 províncias. Dessas 67 zonas, 50 têm casos ativos. A transmissão está concentrada no leste, sobretudo em Ituri e Kivu do Norte, epicentros com 9.782 casos confirmados e 4.792 mortes.

Rastrear contatos e ampliar os testes seguem como desafios centrais para conter o avanço. Segundo o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, cerca de 80% dos novos casos não vêm de cadeias de contato já monitoradas pelas autoridades. Além disso, um terço das mortes ocorreu fora de centros de tratamento, antes de as pessoas serem testadas para Ebola, segundo a Organização Mundial da Saúde.

O médico Patrick Otim, gestor de programa da Organização Mundial da Saúde, afirmou que o número « não é apenas um número », pois representa famílias e comunidades devastadas. Para ele, a dificuldade de alcançar as pessoas cedo, antes que cheguem às unidades de saúde, é uma das maiores preocupações na resposta ao surto.

A região leste do Congo enfrenta um conflito entre o governo e diversos grupos armados, com destaque para o M23, apoiado por Ruanda. Na fronteira com Uganda, uma insurgência islamista da ADF também limita o acesso das equipes de saúde. Há ainda desconfiança da população, que resultou em ataques a profissionais e unidades de saúde. Uma enfermeira foi morta na semana passada ao responder a um alerta de Ebola, e um político do partido governista foi assassinado em setembro após defender medidas de saúde no rádio.

Trabalhadores de um centro de tratamento em Tchomia, em Ituri, cruzaram os braços na sexta-feira (30) cobrando quatro meses de salários atrasados. No local havia cinco pacientes confirmados e 10 casos suspeitos em atendimento. Em Beni, no Kivu do Norte, parte dos serviços também parou, e uma autoridade local atribui a situação à falta de combustível e de recursos do governo central.

Fora do Congo, Quênia e Nigéria confirmaram casos de Ebola em outubro. O Quênia registra oito casos e duas mortes, enquanto o único caso confirmado na Nigéria foi transferido para a Suíça. Com os casos já confirmados em Uganda, o surto passa a ser o primeiro registrado em três regiões africanas e o mais geograficamente disseminado do continente.

Compartilhe:

Leia também