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Dinossauro comedor de frutas: fóssil raro revela nova espécie no fim do Cretáceo

Pesquisadores descrevem o Infernogallus jamesi, dinossauro do fim do Cretáceo que mastigava frutas, algo inédito entre os dinossauros conhecidos até agora.

Por Roberto Andrade ·
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Fóssil de dinossauro encontrado em gaveta de museu no Reino Unido é de nova espécie
Imagem ilustrativa. Foto: Roland Tanglao from Vancouver, Canada / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Paleontólogos identificaram uma nova espécie de dinossauro comedor de frutas, batizada de Infernogallus jamesi, que mastigava alimentos macios e, segundo os pesquisadores, é o primeiro dinossauro conhecido com essa dieta específica. O estudo foi publicado na revista Nature Communications.

A pesquisa foi liderada por Gregory Funston, professor assistente do Departamento de Ciências Anatômicas da Universidade Stony Brook, com participação de especialistas do Museu Real de Ontário (ROM) e do Serviço Geológico de Dakota do Norte. A equipe analisou os músculos da mastigação do animal e encontrou um arranjo raro, visto hoje apenas em alguns papagaios que se alimentam de frutas.

O nome significa «galinha do inferno» e foi dado porque os fósseis foram encontrados na Formação Hell Creek, nos Estados Unidos, região que abrange Montana, Dakota do Norte, Dakota do Sul e Wyoming. Ali, a espécie viveu ao lado do T. rex e do triceratops, no fim do período Cretáceo.

Com cerca de 12 kg e tamanho aproximado de um peru, o animal pertencia ao grupo dos caenagnatídeos, dinossauros com penas e sem dentes. Mesmo na fase adulta, ele estava entre os menores integrantes desse grupo.

Chama a atenção que essas espécies tenham evoluído a partir de linhagens carnívoras. A análise da mecânica da mastigação mostrou que o crânio era especializado em triturar frutas de caroço, removendo a polpa da semente principal. Até então, os paleontólogos tinham dificuldade em estabelecer ligações claras entre a diversidade de dinossauros e a evolução das plantas com flores.

Segundo os pesquisadores, o céu da boca do animal tinha ossos que se curvavam para dentro, o que fazia certos músculos ficarem voltados para frente e para trás, e não para cima e para baixo. Isso permitia um movimento de mastigação com o bico deslizando, semelhante ao dos humanos, em vez da mordida rígida e vertical do T. rex. Esse arranjo muscular é raro no reino animal e aparece em alguns mamíferos e em aves que comem frutas, como o papagaio-vulturino (Psittrichas).

Os autores concluem que essas adaptações provavelmente surgiram pelo mesmo motivo: processar alimentos macios na boca, e não no estômago. «É bastante raro que animais se especializem em uma dieta de frutas e, quando isso acontece, vêm adaptações notáveis», afirma Thomas Dudgeon, pesquisador de pós-doutorado no ROM e um dos coautores do artigo.

Os fósseis incluem um crânio quase completo e articulado, além de parte do esqueleto, e estão em exposição no Museu Real de Ontário. Para David Evans, curador-chefe de história natural da instituição, restos completos de pequenos dinossauros são muito raros no registro fóssil, o que torna o achado especialmente valioso.

O estudo também sugere que os dinossauros podem ter influenciado a evolução das plantas com flores como dispersores de sementes, papel que hoje cabe a aves, répteis e pequenos mamíferos. Ao mesmo tempo, a existência de espécies com novos papéis ecológicos no fim do Cretáceo indica que a diversidade desses animais pode ser maior do que se imaginava, o que alimenta o debate sobre um possível declínio antes da extinção.

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