Vitória, domingo 25 de outubro de 2026
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Apuração do TSE: por que votos do Nordeste e do Norte demoram mais para chegar

Entenda por que os votos do Norte e do Nordeste demoram mais para entrar na apuração do TSE e como a ordem de chegada dos dados pode mudar o cenário ao longo da noite.

Por Roberto Andrade ·
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Neste domingo (25), a apuração do TSE começa logo após o fechamento das urnas, às 17h, e os primeiros dados devem ser divulgados em tempo real a partir das 17h10. A ordem em que os votos aparecem ao longo da noite costuma gerar dúvidas, e a explicação está no caminho que cada boletim percorre até Brasília.

Segundo especialistas consultados, o principal gargalo está na transmissão desordenada dos dados de votação para o tribunal. O processo é dividido em três fases. Primeiro vem a apuração, quando as urnas emitem o Boletim de Urna (BU), um documento que funciona como uma espécie de “nota fiscal” da votação de cada seção. Em seguida, na transmissão, o BU é gravado em uma mídia física enviada ao cartório eleitoral logo após o fechamento da seção. Por fim, na totalização, o TSE soma os dados de todos os boletins e divulga o resultado.

Os estados do Sul e do Sudeste costumam ser os primeiros a entregar seus dados ao tribunal, porque têm melhor infraestrutura para transportar os resultados e sistemas já interligados à base do órgão. Quando esses votos chegam, o TSE começa a divulgar números já depois das 17h, o que pode dar vantagem inicial a candidatos da direita, já que essas regiões são redutos desse campo político desde a redemocratização.

Em 2014, Aécio Neves venceu no Sul com 58,9% dos votos e no Sudeste com 56,1%. No pleito seguinte, Jair Bolsonaro teve 68,2% no Sul e 65,3% no Sudeste, resultados repetidos em 2022. Por isso, o cientista político Rodrigo Mahlmeister, da Universidade Duke, avalia que a vantagem inicial de Flávio Bolsonaro deve aparecer no começo da contagem.

No Norte e no Nordeste, muitas seções enfrentam desafios logísticos e digitais antes de transmitir seus dados. Segundo o cientista político Marco Antonio Faganello, pesquisador da FGV-CEPESP, há seções a cerca de 50 km ou 60 km do local de transmissão, e alguns trajetos exigem barco. Por isso, esses votos entram geralmente quando a apuração já está adiantada, às vezes em pelo menos 30%.

Os problemas também aparecem dentro das cidades. Seções em áreas periféricas podem demorar mais, assim como as que enfrentam falhas técnicas ou recebem eleitores no último minuto, o que atrasa o fechamento das urnas. Antes de sair da seção, o presidente da mesa deve fazer uma cópia dos dados do BU, para evitar a perda de votos caso a mídia enviada ao TSE se extravie.

A história recente mostra como a ordem de chegada pode mudar o cenário. Em 2014, a totalização só passou a ser pública quando 90% das urnas já haviam sido apuradas. Naquele ano, o PSDB pediu uma auditoria das urnas, e o tribunal atribuiu a inversão das posições à ordem de processamento das regiões. Em 2018, Fernando Haddad liderou a contagem por cerca de dez minutos, mas Jair Bolsonaro assumiu a dianteira por volta das 17h10 e venceu com 55,13% dos votos. Em 2022, Lula ultrapassou Bolsonaro depois das 18h40, com 67,6% das urnas apuradas, e foi declarado eleito por volta das 20h09.

Para 2026, o primeiro turno registrou Flávio Bolsonaro com 47,03% dos votos válidos e Lula com 45,16%, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. Mahlmeister afirma que o mais provável é que Flávio lidere a apuração do começo ao fim, e que uma eventual virada de Lula, se ocorrer após 50% das urnas contadas, não voltaria a ser revertida. Em um agregador de pesquisas, Flávio aparece com 48% e Lula com 46%.

Os números parciais já podem indicar o vencedor antes da contagem completa, mas o resultado só se torna oficial com a proclamação do TSE, presidido atualmente pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. Como as seções no exterior podem levar dias para serem totalizadas, a expectativa é que o próximo presidente seja conhecido até meados das 20h deste domingo, seguindo o padrão de eleições anteriores.

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