Cessar-fogo em Oleshky será iniciado em 29 de outubro, segundo a Casa Branca
A Casa Branca afirma que Melania Trump intermediou um cessar-fogo em Oleshky, na Ucrânia, para retirada de civis e entrada de ajuda humanitária.
O cessar-fogo em Oleshky, cidade do sul da Ucrânia ocupada pelas forças russas, foi anunciado pela Casa Branca, que atribui à primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, a intermediação do acordo. Segundo o comunicado, a trégua começa em 29 de outubro, e Ucrânia e Rússia confirmaram posteriormente que concordaram com a medida.
Oleshky fica na região de Kherson, às margens do rio Dnipro, e foi tomada por tropas russas nos primeiros dias da invasão em grande escala, em fevereiro de 2022. Antes da guerra, a cidade tinha 24 mil habitantes. Hoje, segundo estimativa ucraniana, cerca de 6 mil pessoas permanecem na localidade e nas áreas vizinhas, entre elas 200 crianças.
Ao justificar a iniciativa, a Casa Branca afirmou que a população que ainda vive na cidade é formada principalmente por idosos, que precisam com urgência de atendimento médico, remédios, alimentos e água potável. O comunicado diz que Melania Trump e sua representante trabalharam diretamente com lideranças russas e ucranianas para definir os termos do cessar-fogo localizado.
Pelo plano descrito, líderes civis não militares dos dois países visitarão os moradores em suas casas para avaliar a assistência necessária. Quem quiser deixar a cidade receberá apoio coordenado e transporte até o destino escolhido. A primeira-dama disse esperar que parte dos moradores vá para a Rússia e outra parte para a Ucrânia.
Melania Trump afirmou que os moradores têm eletricidade limitada, circulam por estradas minadas e convivem com ataques militares frequentes. Ela disse ainda que, sem a sua intervenção, a entrada de ajuda humanitária na cidade e a retirada de idosos seriam impossíveis. O comunicado, porém, não informou por quanto tempo o cessar-fogo vigorará.
Do lado ucraniano, o deputado Davyd Arakhamia, que lidera o partido do presidente Volodymyr Zelensky no parlamento, disse que uma operação para desbloquear o povoado deve começar em breve, condicionada à trégua. Na Rússia, o porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov, confirmou o acordo e afirmou que os militares trabalham para coordenar os horários do cessar-fogo. Segundo ele, quem quiser deixar o povoado poderá fazê-lo.
O cenário é grave. Em setembro, o Kremlin reconheceu uma situação crítica em Oleshky, com problemas no abastecimento de alimentos e medicamentos, mas atribuiu a responsabilidade à Ucrânia. Relatos de moradores colhidos no mês passado descreveram bombardeios constantes, desnutrição entre crianças, falta de serviços médicos e pessoas que recorrem a ervas daninhas de hortas para sobreviver. Há apenas um hospital parcialmente em funcionamento, aberto alguns dias por semana para amputações de emergência. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que a população vive sob bloqueio total das forças russas, e Kiev diz que tentou levar suprimentos à região sem sucesso nos últimos meses.
Melania Trump, que costuma aparecer pouco em eventos da Casa Branca, já se envolveu com questões humanitárias ligadas à guerra. Em agosto de 2025, ela escreveu uma carta ao presidente russo sobre a proteção das crianças. Segundo informações divulgadas, 34 crianças ucranianas foram devolvidas desde 2025, incluindo cinco em julho. O novo cessar-fogo em Oleshky será o primeiro passo de uma operação que, segundo as autoridades, ainda depende de coordenação militar e de definições sobre o tempo de duração da trégua.


