Finlândia quer comprar um milhão de minas antipessoal diante da ameaça russa
A Finlândia quer comprar um milhão de minas antipessoal após deixar a Convenção de Ottawa, em meio ao temor de ameaças vindas da Rússia.
A Finlândia planeja gastar 100 milhões de euros (cerca de US$ 112 milhões) na compra de um milhão de minas antipessoal, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (19). A medida vem depois de o país e seus vizinhos da região deixarem a Convenção de Ottawa, tratado humanitário que busca eliminar essas armas e destruir os estoques existentes.
Segundo o Comando do Exército finlandês, as autoridades já estão reunindo informações com fornecedores sobre o negócio. O coronel Riku Mikkonen afirmou à agência de notícias nacional STT que Helsinque prefere que empresas do próprio país fabriquem as minas. Cerca de seis companhias finlandesas teriam condições de atender à demanda.
O governo quer que os contratos sejam assinados até o fim de 2027, com a produção em funcionamento em 2028. Mikkonen disse que a produção local traria benefícios de várias formas, mas ressaltou que a compra no exterior ainda não está descartada.
A Finlândia aderiu à Convenção de Ottawa em 2012. Em abril de 2025, o país anunciou a saída do tratado, alegando a piora do ambiente de segurança, e deixou de estar vinculado a ele em janeiro. Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia, que também são aliados próximos da Ucrânia, deixaram o acordo com argumento semelhante, citando a ameaça vinda de Moscou.
O primeiro-ministro Petteri Orpo tem tratado a Rússia, que faz fronteira com o leste finlandês, como uma ameaça de longo prazo. A fronteira entre os dois países tem cerca de 1.340 quilômetros. Desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022, a Finlândia reforçou suas defesas e relatou que migrantes têm sido empurrados do lado russo para o seu território.
Na mesma linha, a chanceler Elina Valtonen defendeu nesta segunda-feira que a União Europeia deixe de emitir vistos de turista para russos enquanto a guerra durar. Ela afirmou que, enquanto a Rússia mantiver a invasão, cidadãos russos não deveriam receber esse tipo de visto, e considerou “não correto” que eles desfrutem das liberdades europeias enquanto o país “bombardeia as casas de ucranianos”. Segundo Valtonen, países do espaço Schengen concederam quase meio milhão de vistos de turista a russos em 2025. A Finlândia proibiu esses vistos em 2022 e defende que o restante do bloco adote a mesma medida.



