Vitória, segunda-feira 2 de novembro de 2026
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Alertas nucleares falsos após hackers invadirem apps de emergência na Ucrânia e na Rússia

Hackers invadiram apps oficiais de alerta da Ucrânia e da Rússia e enviaram avisos falsos de ataque nuclear, no momento em que um cessar-fogo na região de Kherson chegava ao fim.

Por Roberto Andrade ·
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Cessar-fogo em Oleshky será iniciado em 29 de outubro, segundo a Casa Branca
Imagem ilustrativa. Foto: Visem / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Alertas nucleares falsos foram enviados neste domingo (1º) a moradores da Ucrânia depois que hackers invadiram o aplicativo oficial de alertas aéreos do país. Segundo as autoridades ucranianas, as mensagens chegaram a usuários de várias regiões, incluindo Kiev, com avisos de ameaça de radiação, ataque químico e combates de rua. Horas depois, o governo russo informou que um aplicativo semelhante também havia sido alvo de invasão.

Os avisos ucranianos eram de nível vermelho, o mais alto de alerta de ataque aéreo, e foram disparados em todo o país. Em publicação no Telegram, a Força Aérea afirmou que o aplicativo Alarme Aéreo provavelmente sofreu interferência hostil e pediu calma: “Não há ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas atualizações”. O governo disse ter desativado o app temporariamente para manutenção, por suspeita de comprometimento.

Parte das mensagens foi escrita em russo, o que levantou suspeitas entre os usuários. Uma moradora de Kiev contou à BBC que, à primeira vez, pensou estar diante de um ataque nuclear. Ela só percebeu que se tratava de invasão quando o marido recebeu alertas de combates de rua e outro aviso em russo, já que as notificações costumam ser enviadas em ucraniano.

Os ucranianos estão acostumados a receber quase todas as noites alertas de mísseis e drones russos. Alguns disseram ter desligado o aplicativo de vez, após mais de quatro anos de guerra. Ao que tudo indica, é a primeira vez que os aplicativos oficiais de alerta dos dois países são invadidos. Um pesquisador de política cibernética da Universidade Stanford avaliou que o episódio provavelmente não será o último.

Na Rússia, o ministério de situações de emergência classificou o caso como um “ataque cibernético massivo”, que espalhou informações falsas. Uma das mensagens dizia que ogivas nucleares teriam sido lançadas contra todas as regiões do país e orientava a população a estocar alimentos por três semanas e se esconder. Segundo o ministério, a funcionalidade total do app seria restabelecida até o fim do dia, e o sistema geral de alertas não foi afetado.

O Kremlin não comentou o caso diretamente. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que os sites do governo russo sofrem ataques cibernéticos constantes, inclusive o site da Presidência, e que o avanço da inteligência artificial contribui para o aumento desses ataques. Embora Moscou e Kiev sejam acusados de realizar ações cibernéticas um contra o outro, o linguajar informal das mensagens falsas levou especialistas a apontar para grupos de hackers ativistas, que não são dirigidos formalmente por nenhum dos governos.

Os alertas ocorreram no momento em que terminava um cessar-fogo local na região de Kherson, no sul da Ucrânia. A trégua, que durou seis dias, permitiu a retirada de civis da cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia. Segundo a Casa Branca, o acordo foi intermediado em parte pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, que afirmou que mais de 750 pessoas deixaram a cidade. Pouco depois do fim da pausa, a Rússia retomou os ataques em Kherson, e um hospital da cidade foi atingido por um drone, sem vítimas, segundo as autoridades locais. O porta-voz de Putin afirmou que não há, por enquanto, planos para uma nova trégua.

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