Negociações EUA-Irã mediadas pelo Catar buscam reabrir o Estreito de Ormuz
Catar medeia negociações indiretas entre EUA e Irã para liberar ativos e reabrir o Estreito de Ormuz, com prazo de dois dias em discussão.
O Catar intermedia há três dias negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã que buscam reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo e gás do mundo. Em Doha, a mediação tenta destravar a liberação de cerca de US$ 6 bilhões em ativos iranianos, condição associada à reabertura da passagem.
As conversas avançaram no domingo (1º) em meio a forte tensão. Autoridades dos países do Golfo dizem estar preparadas para o pior enquanto aguardam a resposta de Washington a uma proposta iraniana que poderia reabrir o estreito antes das eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para terça-feira (3).
O enviado dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou que uma nova escalada não interessa ao Irã nem aos vizinhos da região. Ele disse que seu país também se prepara para o pior, mas defendeu que as relações com Teerã são essenciais e que os vizinhos não querem ver o Irã preso a uma crise prolongada.
A mediação seguiu mesmo depois de mísseis não identificados atingirem, na sexta-feira (30), um navio cargueiro de gás natural liquefeito de bandeira catariana, com destino ao Paquistão, nas proximidades do estreito. O ataque ocorreu horas depois de Teerã ter concedido autorização direta e aprovação de passagem segura à embarcação.
Para contornar a falta de confiança entre as partes, o Catar trabalha em um plano que compacta o cronograma: primeiro os Estados Unidos suspenderiam as sanções, depois o Irã reabriria o estreito e, por fim, começariam as conversas sobre o programa nuclear iraniano. Segundo as informações divulgadas, Teerã aceitou reduzir esse prazo de sete para dois dias.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse esperar que Washington escolha a diplomacia em vez de outros caminhos e afirmou que o Irã está pronto tanto para a defesa quanto para o diálogo, a depender da racionalidade dos americanos. Ele não participa das negociações em Doha e deve viajar ao Turcomenistão na segunda-feira (2), mas outros diplomatas iranianos têm papel central nas conversas. Araghchi também afirmou que não há, por enquanto, planos para negociações diretas com Washington.
No sábado (31), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que seu país enfraqueceu boa parte do poderio militar iraniano, mas ainda precisa lidar com um ou dois alvos. Ele afirmou que as negociações vão bem, embora considere os iranianos pouco confiáveis. Mais cedo no mesmo dia, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que Washington está aberto a uma solução diplomática.
O conselheiro de segurança iraniano, Mohsen Rezaei, revelou ter recebido uma carta do vice-presidente americano, JD Vance, com o objetivo de retomar o diálogo. Ele afirmou perceber uma mudança positiva no tom de Washington, mas disse que ainda não respondeu à mensagem.
Do lado iraniano, o vice-presidente do Parlamento, Ali Nikzad, reiterou que o país não negociará seu programa nuclear sob nenhuma circunstância, citando violações de compromissos e bombardeios a instalações nucleares pacíficas. Rezaei, por sua vez, afirmou que a guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel em fevereiro tem repercussões internacionais maiores que a da Guerra do Vietnã.



