Ataques russos deixam centenas de milhares sem eletricidade na Ucrânia; trégua em Olechky termina neste domingo
Ataques russos deixam centenas de milhares de residências sem eletricidade na Ucrânia, e a trégua em Olechky chega ao fim neste domingo.
Centenas de milhares de residências ficaram sem eletricidade neste domingo (1º) na Ucrânia, em meio a novos ataques russos, enquanto a trégua em Olechky chega ao fim. Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, a Rússia atingiu infraestruturas energéticas em quatro regiões do país durante a madrugada.
Em publicação no Telegram, Zelensky afirmou que a intensidade dos bombardeios é muito alta e que Moscou tenta aproveitar a falta de interceptadores de mísseis balísticos. A Ucrânia busca ampliar esse estoque, e o sistema Patriot, desenvolvido pelos Estados Unidos, é considerado o mais eficaz para neutralizar mísseis desse tipo.
De acordo com Zelensky, o país aguarda há quase um mês a aprovação de Washington para a entrega desses equipamentos. A demora aumentou as tensões entre os dois países. Depois de o presidente Donald Trump anunciar um acordo sobre diesel com a Rússia, ele criticou Zelensky por recusar a interrupção dos ataques contra refinarias russas e voltou a exigir que Kiev suspenda essas ações, argumentando que elas pressionam os preços dos combustíveis.
No campo diplomático, Yuri Ushakov, assessor do Kremlin citado pela agência Interfax, afirmou no domingo que a próxima rodada de negociações deve ocorrer, ao menos no início, em formato trilateral, com Moscou, Kiev e Washington. Ao ser questionado sobre uma eventual participação de países europeus, ele respondeu: “Mantemos contatos de trabalho com os americanos. Portanto, é lógico que, ao menos nas primeiras rodadas de negociações, elas ocorram em formato trilateral”.
A trégua em Olechky, cidade ocupada pela Rússia no sul da Ucrânia, começou na terça-feira (27) para permitir a saída de civis de uma região na linha de frente, marcada por minas terrestres, escassez de suprimentos e ataques constantes de drones. O acordo, previsto para terminar na noite deste domingo, é o cessar-fogo mais longo desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, e possibilitou que moradores deixassem o local.
Um dos relatos vem de uma família separada desde 2024, quando a mãe e duas filhas, de 16 e 19 anos, deixaram Olechky e passaram a não ver o pai. Segundo elas, ele contou que os russos quase o mataram, mas só deu detalhes três meses depois. Como muitos moradores, o homem decidiu permanecer na cidade com seus animais, sob bombardeios diários e com acesso esporádico à eletricidade, obtida por energia solar e um pequeno gerador.
Em Kherson, na margem oposta do rio Dnipro, a pausa também trouxe alívio à população. Militares ucranianos, porém, avaliam que os combates devem ser retomados logo após o fim da trégua. Uma fonte militar relatou que as forças russas aproveitaram o período para reforçar tropas, reabastecer munições e coletar informações sobre posições inimigas.
Do lado russo, autoridades instaladas por Moscou na região informaram mortes em ataques ucranianos em Lugansk e danos a uma grande refinaria na região de Níjni Novgorod. A ofensiva contra instalações petrolíferas russas segue como um dos principais pontos de divergência com Washington, e os esforços diplomáticos americanos para encerrar a guerra continuam paralisados, sem avanços concretos entre Rússia e Ucrânia.



