Invasão Binance: notebook de engenheiro pode ter aberto caminho para roubo de US$ 6,3 bilhões
Invasão ao notebook de um engenheiro pode ter permitido saques de US$ 6,3 bilhões na Binance, segundo a empresa; grupo ligado à Coreia do Norte é apontado.
A invasão Binance pode ter começado com o notebook de um dos engenheiros da maior corretora de criptomoedas do mundo. Segundo a empresa, o computador comprometido pode ter sido usado para acessar um de seus sistemas e fazer saques não autorizados, que somam US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões).
Especialistas consideram o caso o maior roubo de moedas digitais já registrado. A companhia afirma que a investigação ainda está em fase inicial e que a origem completa do ataque segue sob análise.
De acordo com a Binance, a equipe de segurança acompanha todo o trajeto da invasão a partir do computador comprometido, que pode ter sido o ponto de entrada. Mais tarde, a empresa informou ter identificado outros pontos de invasão, o que amplia o escopo da apuração.
Mark Karpeles, ex-chefe da corretora de bitcoin Mt Gox, afirmou que os invasores provavelmente tiveram acesso às chaves privadas de pelo menos duas carteiras da Binance. A Mt Gox, sediada em Tóquio, encerrou suas atividades há 12 anos, depois de um roubo de US$ 500 milhões em bitcoin.
A empresa de análise de blockchain TRM Labs disse, na quinta-feira (29), ter “alta confiança” de que o ataque foi realizado pelo TraderTraitor, grupo de hackers ligado à Coreia do Norte. Segundo a TRM, diversas características da ação coincidem com roubos anteriores atribuídos ao país.
Analistas avaliam que o TraderTraitor faça parte do Grupo Lazarus, conhecido desde 2014, quando foi acusado de invadir os sistemas da Sony Pictures em represália ao filme A Entrevista, que satirizava o líder norte-coreano Kim Jong-un.
O episódio pode ter efeitos mais amplos para o setor de criptomoedas, que já lidava com juros mais altos nos Estados Unidos e com a queda na demanda por fundos negociados em bolsa. Para usuários e investidores, o caso reforça a importância da segurança de contas e de sistemas internos das corretoras.
A apuração sobre a invasão segue em andamento, e a extensão final do prejuízo e a identificação dos responsáveis dependem de novas informações oficiais.

