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Bloqueio de agentes de IA: bancos dos EUA impedem movimentação de dinheiro

Bancos dos EUA restringem agentes de IA que tentam movimentar dinheiro de clientes, e a Charles Schwab explica os motivos da decisão.

Por Roberto Andrade ·
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Imagem: Gemini AI

Com o bloqueio de agentes de IA, bancos dos Estados Unidos estão restringindo o acesso de ferramentas de inteligência artificial às contas financeiras de seus clientes para evitar movimentações não autorizadas. Segundo Rick Wurster, CEO da Charles Schwab Corp., a empresa bloqueia ferramentas externas que tentam movimentar dinheiro em nome dos usuários, incluindo o Muse, da Meta.

Em entrevista à Bloomberg Television na sexta-feira (16), Wurster explicou que a medida busca proteger tanto os clientes quanto a própria instituição de problemas que podem surgir quando essas ferramentas recebem credenciais de acesso às contas. Ele reconheceu que a inteligência artificial pode ajudar na gestão financeira e afirmou que a empresa pretende permitir o uso de modelos externos em algumas atividades, desde que existam mecanismos de segurança.

O executivo questionou quem seria responsabilizado caso um agente recebesse a senha de um usuário, fizesse uma operação indevida e causasse prejuízos. “Não queremos que alguém simplesmente forneça sua senha ao Muse e deixe que ele entre e tome decisões em nome desse cliente”, afirmou. Segundo ele, a companhia não conseguiria controlar totalmente o comportamento de um agente externo, e o próprio cliente poderia perder o controle sobre as ações feitas em seu nome.

De acordo com Wurster, a Charles Schwab recebe relatórios semanais sobre as tentativas bloqueadas, e os principais agentes de IA são impedidos de acessar as contas dezenas de vezes por semana. Para ele, o número mostra que, apesar do interesse das pessoas pela tecnologia, elas ainda não estão dispostas a confiar a essas ferramentas o controle sobre suas finanças.

Em vez de liberar agentes externos para movimentar recursos, a Charles Schwab pretende direcionar seus clientes ao Charley, assistente de inteligência artificial desenvolvido pela própria companhia e apresentado no mês anterior à entrevista. A ferramenta faz parte da estratégia de incorporar IA aos serviços financeiros sem abrir mão do controle sobre as operações realizadas em nome dos usuários.

A empresa também planeja criar conexões seguras para integrar modelos externos de linguagem de grande porte aos seus sistemas, usando servidores baseados no Model Context Protocol (MCP), protocolo que conecta modelos de IA a sistemas e fontes de dados. Por meio dessa estrutura, a instituição poderia controlar a autenticação e definir quais informações cada ferramenta pode acessar. Nesse modelo, os agentes externos poderiam consultar saldos e fazer pesquisas, mas não movimentar dinheiro.

A posição da Charles Schwab acompanha a de Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase & Co., que no início da semana afirmou que também não pretende conceder a agentes externos acesso irrestrito às informações das contas de seus clientes. Os dois casos indicam uma preocupação do setor bancário com os limites de acesso dessas ferramentas a dados e operações sensíveis.

As instituições citadas não rejeitam o uso da tecnologia pelos consumidores, mas defendem mecanismos que permitam controlar quais dados os agentes podem consultar e quais ações estão autorizados a executar. O equilíbrio entre praticidade e segurança nas finanças digitais deve seguir em debate à medida que essas ferramentas avançam.

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