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Patrimônio imaterial lusófono ganha destaque, de Portugal a Timor-Leste, no Dia Internacional

A Unesco celebra o Dia Internacional do Patrimônio Imaterial e destaca tradições lusófonas, de Portugal a Timor-Leste, como Bumba-meu-boi e Morna.

Por Roberto Andrade ·
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Imagem de freepik

Neste sábado (17), a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) celebrou o Dia Internacional do Patrimônio Cultural Imaterial. O patrimônio imaterial lusófono, que vai de Portugal a Timor-Leste, reúne saberes, rituais e expressões culturais passados de geração em geração, como a música, a dança, o artesanato e o teatro.

Em mensagem oficial, o diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, afirmou que o patrimônio intangível só existe porque as pessoas o mantêm vivo. Atualmente, 185 países aderiram à Convenção de 2003 para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial.

A data foi definida pela Conferência Geral da Unesco em sua 42ª sessão e lembra a necessidade de preservar a herança cultural. Nesse contexto, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu a Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável (2027-2036).

Da África à Europa, comunidades lusófonas mantêm práticas que unem arte, fé, justiça e conhecimento ancestral. Em Portugal, a Arte Equestre, inscrita em 2024 na Lista Representativa da Unesco, busca uma harmonia profunda entre cavaleiro e cavalo, baseada na cooperação voluntária e no bem-estar do animal. Ela é transmitida em academias, escolas de equitação e centros equestres.

Na África Central e Ocidental, os Sona são desenhos e figuras geométricas traçados na areia que representam o conhecimento do povo Lunda Cokwe e de comunidades vizinhas no leste de Angola. Reconhecida pela Unesco em 2023, a técnica é ensinada durante ritos de iniciação e, nas últimas décadas, passou a ser usada por instituições de ensino para explicar matemática e antropologia.

Em Moçambique, a dança Ingoma Ya Mapiko, do povo Makonde, está na lista de salvaguarda urgente da Unesco. Tradicionalmente realizada sob cajueiros e mangueiras, marca a passagem da puberdade para a vida adulta e também aparece em funerais e festas comunitárias.

No Brasil, o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão, inscrito em 2019, une fé, arte e festa. Seu ciclo reproduz o nascimento, a vida e a morte do boi, e o calendário festivo pode se estender por até oito meses, culminando no final de junho. A tradição se mantém por grupos infantis, oficinas de dança e aprendizado nas comunidades.

Em Timor-Leste, no Sudeste Asiático, o Tais é um tecido de algodão tingido com plantas naturais e produzido manualmente em teares simples. Inscrito em 2021 na lista de salvaguarda urgente, ele está presente em roupas tradicionais, cerimônias de boas-vindas a recém-nascidos e rituais fúnebres. A tecelagem é um saber reservado às mulheres, e a prática enfrenta a preferência dos jovens por roupas ocidentais e a redução do número de tecelãs ativas.

Em São Tomé e Príncipe, o Tchiloli foi reconhecido em 2025 como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. É um teatro de rua apresentado ao ar livre, com atores, músicos e dançarinos. Sua trama, de inspiração renascentista, gira em torno de um julgamento por homicídio e culmina no julgamento do filho do imperador Carlos Magno, que é condenado mesmo sendo da realeza, em referência à igualdade perante a lei.

Em Cabo Verde, a Morna, reconhecida em 2019, combina voz, poesia e dança, com instrumentos como guitarra, violino e cavaquinho. As letras são em crioulo cabo-verdiano e falam da vivência no arquipélago. Ela está presente em casamentos, batizados e reuniões familiares, e é transmitida por oficinas, rádios e festivais.

Ao reconhecer esses saberes, a Unesco aponta o esforço dos países lusófonos para proteger o passado e construir pontes para um futuro mais sustentável, inclusivo e plural. Na Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável, a organização considera que a cultura pode ser motor de inovação e bem-estar social.

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