Violência no norte da Etiópia empurra sistema de saúde para o colapso, alerta OMS
A OMS alerta que combates e ataques com drones no norte da Etiópia pressionam o sistema de saúde, com mortes de civis e falta de suprimentos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que os combates e os ataques com drones no norte da Etiópia estão levando o frágil sistema de saúde do país ao colapso. O alerta foi divulgado em comunicado na segunda-feira (2) pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Segundo ele, o conflito entre rebeldes da região de Tigré e o governo em Adis Abeba tem matado civis e sobrecarregado unidades de saúde. Com a continuidade dos combates, mais pessoas podem perder acesso a serviços essenciais, como atendimento de emergência, cuidados com gestantes, recém-nascidos e crianças e tratamento de doenças.
Fontes ligadas a uma operação de resgate informaram à agência Reuters que pelo menos 15 pessoas morreram na sexta-feira (30), sendo várias delas crianças, em uma série de ataques com drones contra um acampamento de deslocados na região de Amhara. Tedros confirmou que crianças estavam entre as vítimas no campo de Jaari 2. Em Rama, na vizinha Tigré, várias pessoas foram mortas enquanto procuravam comida.
O diretor-geral não divulgou um balanço geral de vítimas nem identificou os responsáveis pelos ataques. Ele afirmou, porém, que os ataques com drones e as mortes de civis estão se tornando mais frequentes em todo o país, agravando problemas de saúde pública e humanitários.
Na avaliação de Tedros, a violência já pressiona um sistema de saúde frágil. Os hospitais enfrentam falta de profissionais, medicamentos e equipamentos, e os serviços de ambulância são muito limitados. A insegurança também dificulta a entrega de suprimentos médicos essenciais em algumas áreas.
A OMS e outras agências das Nações Unidas trabalham para levar suprimentos adicionais às regiões afetadas. Tedros pediu que os civis sejam protegidos e que profissionais de saúde e produtos médicos possam chegar a quem precisa.
O alerta acontece após a retomada dos combates entre a aliança rebelde de Tigré e o governo etíope, que praticamente desfez o acordo de paz firmado em novembro de 2022 entre os dois lados. Há temores de que o confronto se transforme em um conflito mais amplo.



