Tropas de Uganda começam a deixar a Somália após 20 anos
Uganda iniciou a retirada de suas tropas da Somália, onde atuava desde 2007, com saída completa prevista até o fim de 2027.
As tropas de Uganda começaram a deixar a Somália após quase duas décadas de envolvimento militar no país. Segundo o porta-voz interino do Exército ugandense, Chris Magezi, o primeiro grupo de soldados enviado por meio de um acordo bilateral já retornou a Uganda nesta segunda-feira (2), e outros devem seguir nos próximos dias.
Magezi afirmou que todas as forças, incluindo as que atuam na missão da União Africana, deixarão o território somali até o fim de 2027, em um processo de retirada gradual. Ele disse que a saída marcará o fim das operações ugandenses no Chifre da África e que a Somália deverá assumir a responsabilidade total pela segurança.
Uganda foi o primeiro país africano a enviar tropas à Somália sob a Missão da União Africana na Somália (Amisom), criada em 2007 para proteger o governo de transição contra ataques de milicianos islamistas. Segundo relatos, um primeiro contingente de 109 militares do Exército ugandense deixou Mogadishu na última sexta-feira (30), após anúncio do chefe do Exército, general Muhoozi Kainerugaba.
Na semana passada, o general já havia dito que o país começara a retirar suas tropas e que transferiria as responsabilidades de segurança às forças somalis. Em publicação na rede social X, ele escreveu: “Como prometemos, começamos a retirar o UPDF da Somália. Depois de 20 anos de muito sangue e sacrifício, estamos entregando a segurança a nossos irmãos somalis.”
A decisão vem após a visita do presidente da Somália, Sheikh Mohamud, a Kampala, onde se reuniu com o presidente ugandense, Yoweri Museveni, também na semana passada. O encontro tratou da situação de segurança somali e das relações comerciais e econômicas entre os dois países. Segundo informações divulgadas, o líder somali tentou convencer Uganda a estender sua presença militar, mas o resultado desse pedido não foi tornado público.
Durante a visita, Museveni pediu que líderes e cidadãos somalis se unam na luta contra a insurgência do grupo al-Shabab. Atualmente, cerca de 4.500 militares estão na Somália sob a missão da União Africana, além de aproximadamente 2.000 enviados por acordos bilaterais.
O país enfrenta há mais de duas décadas uma insurgência prolongada e letal liderada pelo al-Shabab, grupo militante ligado à Al-Qaeda. As tropas ugandenses ajudaram a expulsar o grupo de Mogadishu e de outras grandes cidades e, ao lado do Exército Nacional Somali, recuperaram territórios estratégicos e instalações governamentais.
A presença de Uganda passou por diferentes missões da União Africana. Em 2025, a Missão de Transição da União Africana na Somália (Atmis) foi substituída pela Missão de Apoio e Estabilização da União Africana na Somália (Aussom), voltada ao fortalecimento das instituições de segurança somalis e à preparação de suas forças para assumir integralmente a proteção do país. A Aussom, porém, enfrenta incertezas sobre seu financiamento, em meio a planos de redução do apoio dos Estados Unidos e da ONU. Um plano de transição de 12 meses deve começar em janeiro, dando tempo à Somália e à União Africana para buscar fontes alternativas de recursos.



