Roubo da Binance: FBI atribui à Coreia do Norte ataque de US$ 6,3 bilhões; exchange cobre 90% das perdas
A Binance diz ter coberto 90% dos US$ 6,3 bilhões roubados em ataque atribuído pelo FBI à Coreia do Norte, e retomou saques em fases.
A Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, informou que já cobriu 90% dos cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos desviados no roubo da Binance, ocorrido na quinta-feira (29). Segundo a empresa, os 10% restantes podem levar mais tempo para serem recompostos, porque são ativos menos líquidos e mais difíceis de comprar nas quantidades necessárias.
A companhia afirmou que separou mais de US$ 6,34 bilhões de recursos próprios para cobrir as perdas e declarou, em comunicado divulgado no sábado, que os usuários não arcarão com o impacto financeiro. Segundo a Binance, os recursos usados vieram de um fundo de segurança para clientes, de uma reserva em bitcoin e de outras reservas internas.
O Federal Bureau of Investigation (FBI) afirmou no sábado que a Coreia do Norte foi responsável pelo ataque. A agência disse ter observado hackers convertendo os ativos roubados em ethereum e avaliou que eles devem ser lavados por meio de finanças descentralizadas e serviços de troca instantânea. O órgão pediu que exchanges e empresas de análise bloqueiem transações ligadas aos endereços usados pelo grupo.
O grupo citado pelo FBI é conhecido como TraderTraitor, associado ao Lazarus Group, ligado ao regime norte-coreano. Duas empresas de análise haviam apontado o mesmo grupo antes da confirmação oficial. Já a Coreia do Norte historicamente nega envolvimento em ataques desse tipo. No sábado à noite, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país ainda não sabe quem são os responsáveis.
Segundo a Binance, a invasão começou com o comprometimento do notebook de um engenheiro, o que permitiu saques não autorizados. Uma atualização posterior apontou outros pontos de violação. Richard Teng, cocopresidente executivo da empresa, afirmou que mais de uma pessoa participou da ação e que os invasores usaram métodos sofisticados para apagar rastros, incluindo um mecanismo de autodestruição de dados.
Após a invasão, a Binance suspendeu os saques. No domingo (1º), a empresa anunciou a reabertura gradual, começando por ativos como ethereum, USDT e USDC na rede ethereum, além de alguns tokens da BNB Smart Chain. Outras criptomoedas, como dogecoin e avalanche, voltaram a ser negociadas depois, em suas próprias plataformas.
O mercado reagiu ao ataque. O bitcoin caiu quase 5%, o ethereum recuou cerca de 6% e o BNB, token nativo da própria Binance, chegou a cair quase 10%. A Binance foi fundada na China em 2017 e é estimada em centenas de milhões de usuários no mundo.
O ataque é considerado o maior roubo da história do setor, superando o caso da exchange Bybit em 2025, de US$ 1,5 bilhão, que o FBI também atribuiu à Coreia do Norte. A dimensão do episódio reforça a preocupação com a capacidade de grupos ligados ao país, que enfrenta sanções internacionais por seus programas nuclear e de mísseis, de obter receitas por meios ilícitos. A investigação segue em andamento, e o Serviço Secreto dos EUA diz trabalhar com parceiros privados para rastrear e recuperar os fundos.


