Vitória, quinta-feira 22 de outubro de 2026
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Primata peçonhento volta a ser documentado na Indonésia após quase um século

Espécie de lóris considerada possivelmente extinta reaparece na ilha de Bangka, na Indonésia, com mais de 90 exemplares encontrados entre 2015 e 2025.

Por Roberto Andrade ·
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Primata peçonhento volta a ser documentado na Indonésia após quase um século
Imagem ilustrativa. Foto: Wich’yanan (Jay) Limparungpatthanakij / Inaturalist (CC BY 4.0)

Um primata classificado como possivelmente extinto voltou a ser documentado na Indonésia. Segundo estudo publicado na revista Spixiana, mais de 90 exemplares do primata peçonhento lóris-lento-de-Bangka foram encontrados entre 2015 e 2025 em diferentes regiões da ilha de Bangka.

De nome científico Nycticebus bancanus, a espécie foi classificada em 2020 pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como criticamente ameaçada e possivelmente extinta. Os registros científicos mais antigos citados pelos pesquisadores eram de 1930 a 1932, o que tornava a reaparição da espécie um dado aguardado por especialistas.

As informações foram reunidas a partir de animais atendidos pelo Alobi Wildlife Rescue Center, organização indonésia de resgate de fauna. Muitos exemplares foram encontrados em casas, jardins, plantações e estradas, e outros sofreram ferimentos graves, sobretudo após contato com fios elétricos. No total, 86 animais puderam ser devolvidos a habitats naturais depois da recuperação.

Para Timon Glaw, um dos autores do estudo, o fato de os animais terem aparecido em pontos distintos da ilha indica que a espécie ainda sobrevive em várias áreas, mesmo com a perda de habitat. Entre as principais ameaças estão a mineração de estanho e o desmatamento associado à expansão das plantações de dendê.

Pequeno e de hábitos noturnos, o lóris-lento-de-Bangka tem pelagem castanho-avermelhada, olhos grandes e marcas características no rosto. Ele também chama atenção por um traço raro entre os mamíferos: é peçonhento.

Os lóris-lentos produzem uma secreção em glândulas próximas aos cotovelos. Quando se sentem ameaçados, podem lamber essas glândulas e misturar a substância à saliva, o que faz o veneno ser inoculado pela mordida. Em seres humanos, a substância pode provocar reações alérgicas graves e potencialmente fatais.

Apesar da redescoberta, os pesquisadores afirmam que a situação da espécie continua crítica. Além da preservação das florestas que restam em Bangka, serão necessários levantamentos sistemáticos para determinar a distribuição e o tamanho atual da população.

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