Cessar-fogo no Sudão: países se reúnem em Genebra para discutir o fim das hostilidades
Cerca de vinte países discutem em Genebra a interrupção das hostilidades no Sudão, em meio ao avanço de ataques com drones contra civis.
Cerca de vinte países se reúnem em Genebra, na Suíça, para discutir o cessar-fogo no Sudão. O objetivo é interromper as hostilidades, aliviar a crise humanitária e apoiar uma transição para um governo pacífico e representativo no país africano.
O encontro acontece em um momento de intensificação de ataques com drones armados contra alvos civis e infraestruturas públicas. Segundo a ONU, esse tipo de ataque tornou-se uma marca da guerra, que se arrasta desde abril de 2023 e atinge sobretudo civis, inclusive crianças.
Pekka Haavisto, enviado pessoal do secretário-geral da ONU para o Sudão, avalia que a primeira sessão, dedicada à desescalada do conflito, pode abrir caminhos práticos para a paz. Ele pediu que os delegados identifiquem medidas e usem seus canais de diálogo para criar confiança e construir condições favoráveis a um cessar-fogo abrangente.
Haavisto também espera que os participantes discutam uma “fase política de transição” conduzida pelos próprios sudaneses, capaz de refletir as aspirações da população. Para ele, o papel dos enviados é apoiar o povo sudanês na construção do futuro compartilhado do país, respeitando a diversidade de suas vozes e experiências históricas.
Nos últimos dias, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou que pelo menos 12 crianças teriam morrido em dois incidentes distintos, nos estados de Cordofão Ocidental e Cartum. Algumas das vítimas tinham apenas dois anos.
Ainda nesta quarta-feira, drones teriam atingido a principal central elétrica da cidade de Tendalti, no estado do Nilo Branco, segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha).
O Ocha estima que 34 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária no Sudão. Já o Unicef aponta que pelo menos oito milhões de crianças sudanesas seguem fora da escola. Para as famílias que já foram deslocadas, nem os abrigos garantem segurança.
Os dois órgãos pedem que todas as partes envolvidas no conflito cumpram suas obrigações previstas no direito internacional humanitário, protegendo civis e suas infraestruturas. Após mais de três anos de guerra, as crianças continuam expostas à violência mortal, o que torna as discussões em Genebra ainda mais aguardadas.


