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Combates em Taiz, no Iêmen, se intensificam e ONU alerta para quase 260 mil deslocados

Combates entre forças do governo do Iêmen e houthis em Taiz deixam quase 260 mil deslocados, segundo a ONU.

Por Roberto Andrade ·
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Combates em Taiz, no Iêmen, se intensificam e ONU alerta para quase 260 mil deslocados
Foto: SharabSalam / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Os combates em Taiz, no Iêmen, se intensificaram entre as forças leais ao governo reconhecido internacionalmente e os houthis, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que milhares de civis estão sendo forçados a deixar suas casas.

Na quarta-feira (21), o porta-voz das forças governamentais, Majid al-Nazili, afirmou que as tropas realizaram 835 operações contra os houthis, conhecidos como Ansar Allah. Segundo ele, 285 integrantes do grupo foram mortos ou feridos, e tanques de batalha e depósitos de armas foram destruídos.

De acordo com o governo, houve confrontos intensos nas terras altas estratégicas de Jabal Han, no oeste de Taiz, que dão vista para rotas que ligam a província à base do governo em Aden. Também foram registrados combates pesados nos distritos de Dhubab e al-Masrakh.

Uma fonte militar do governo disse que ataques aéreos atingiram concentrações e infraestrutura dos houthis na região de Maafar, ao sul de Taiz. Depois, o governo ameaçou ampliar os ataques para alcançar comícios promovidos pelo grupo, que, segundo Sanaa, usa esses eventos para recrutar crianças para combate.

No dia 22, o Ministério da Defesa emitiu um comunicado pedindo que civis em áreas controladas pelos houthis evitem os comícios e os chamados «cursos culturais». Segundo o ministério, essas reuniões passariam a ser consideradas alvos militares legítimos.

A Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) informou que quase 260 mil pessoas foram deslocadas desde agosto. Cerca de metade delas buscou refúgio em Taiz, justamente onde os combates estão concentrados.

Em relatório divulgado na noite de quarta-feira, a OCHA informou que o Escritório da ONU para os Direitos Humanos verificou 251 vítimas civis, sendo 57 mortos e 194 feridos. Metade dos mortos eram crianças.

Parceiros humanitários dizem ter atendido mais de 174 mil deslocados desde agosto, o que representa quase seis em cada dez famílias afetadas. A ajuda inclui alimentos, kits de higiene e dinheiro de emergência nos primeiros dias após a fuga. Segundo a agência, as famílias recém-deslocadas apontam o abrigo como a necessidade mais urgente, seguido de comida e dinheiro.

O Ministério da Educação do Iêmen informou que mais de 2,5 milhões de crianças estão fora da escola por causa do conflito.

Os combates fazem parte de uma ofensiva do governo, batizada de «Alvorada do Iêmen», lançada no início deste mês para retomar áreas controladas pelos houthis, incluindo a capital, Sanaa. A operação conta com apoio da coalizão liderada pela Arábia Saudita. Ela segue a decisão dos houthis, anunciada em julho, de bloquear o estreito de Bab al-Mandeb, além de ofensivas rápidas que tomaram posições estratégicas no litoral do Mar Vermelho.

Os houthis também atacaram alvos na Arábia Saudita, incluindo aeroportos. Segundo a Autoridade de Aviação Civil saudita, o número de mortos subiu para dois após um ataque ao Aeroporto King Fahd, em Dammam, na quarta-feira à noite.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Estado determinou que funcionários não essenciais e familiares deixem a embaixada em Riad. A embaixada já havia sido gravemente danificada no início da guerra entre EUA, Israel e Irã e operava com equipe reduzida. Em novo alerta de viagem, o órgão afirmou que as hostilidades podem se espalhar rapidamente para além da região imediata.

No Iêmen, o governo acusou os houthis de atingir os aeroportos de Aden e al-Rayyan na quarta-feira. O presidente do Conselho Presidencial de Liderança, Rashad al-Alimi, condenou os ataques e pediu à comunidade internacional que classifique o grupo como organização terrorista.

O país está em conflito desde 2014, quando os houthis tomaram Sanaa e outras províncias, e a coalizão saudita passou a intervir em março de 2015 em apoio ao governo. Uma trégua de 2022, mediada pela ONU, entrou em colapso em julho. Hoje, os houthis controlam grande parte do norte e do oeste do país, enquanto o governo e seus aliados mantêm Aden e boa parte do sul e do leste.

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