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Eleição em Israel: nenhum bloco alcança maioria e negociações devem durar semanas

Com 85% dos votos apurados, nenhum bloco chega a 61 cadeiras no Knesset, e a formação de governo em Israel deve levar semanas de negociação.

Por Roberto Andrade ·
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Imagem PicLumen AI

A eleição em Israel realizada na terça-feira (27) não deu vitória clara a nenhum dos lados. Com 85% dos votos apurados, o bloco de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aparece com 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense, enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot soma 48. Nenhum dos dois blocos alcança as 61 cadeiras necessárias para formar maioria.

Por isso, a formação de um governo deve depender de semanas de negociações. Se as conversas fracassarem, o país pode ter de convocar novas eleições. Netanyahu, que já governou por mais de 19 anos em mandatos intercalados, conta com o apoio de partidos de extrema direita e ultraortodoxos. Eisenkot, ex-chefe militar, lidera uma ampla coalizão de oposição. Ambos afirmam que vão tentar formar governo.

Um dos destaques da votação foi o avanço dos partidos árabes israelenses, que chegaram a 19 cadeiras. Os eleitores da comunidade árabe, que representa cerca de 20% da população e é formada por descendentes de palestinos que permaneceram no território após a criação de Israel, demonstraram indignação com a visão ultranacionalista do governo Netanyahu. O líder da coligação árabe de esquerda Joint List, Yousef Jabareen, afirmou que a escolha é entre “a continuação do racismo, da exclusão e da supremacia ou uma verdadeira parceria judaico-árabe”.

Dentro da oposição, não há consenso sobre uma aliança com esses partidos. Yair Golan, líder do principal partido de esquerda, defendeu esse entendimento, enquanto parte do campo de Eisenkot, que inclui políticos de direita, rejeita trabalhar com parlamentares árabes. Para o cientista político Gideon Rahat, da Universidade Hebraica de Jerusalém, os partidos árabes tiveram um enorme sucesso, mas ainda não está claro se conseguirão transformá-lo em influência política.

A contagem segue em andamento. A autoridade eleitoral deve totalizar os votos em 30 de outubro, e os resultados oficiais serão publicados em 4 de novembro, pois ainda faltam centenas de milhares de votos de soldados e diplomatas que votaram fora do país. As pesquisas de boca de urna ajudam a estimar o desempenho dos partidos, mas não são consideradas indicador confiável. Cerca de uma dúzia de legendas pode superar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos nacionais.

Concluída a apuração, o presidente Isaac Herzog, cargo em geral cerimonial, decide quem terá a primeira chance de formar governo, após consultar os partidos em uma semana. Essa pessoa tem 28 dias para negociar, prorrogáveis por mais 14. A tarefa não precisa ir ao líder mais votado: em 2009, Shimon Peres designou Netanyahu mesmo com o Likud tendo menos cadeiras que o Kadima.

Se o primeiro indicado fracassar, outro nome recebe 28 dias, sem prorrogação. Caso também não consiga, os deputados têm 21 dias para apresentar um candidato apoiado por ao menos 61 parlamentares, e, se nada der certo, o Knesset é dissolvido e novas eleições são convocadas. Enquanto isso, Netanyahu pode seguir como primeiro-ministro interino, situação limitada pela Suprema Corte e pela Procuradoria-Geral. Se houver novo pleito, Israel poderia ficar com um governo interino até meados do primeiro semestre de 2027.

Muitos observadores tratam a votação como um referendo sobre Netanyahu, que nega acusações criminais de corrupção, é procurado pelo Tribunal Penal Internacional por causa da guerra na Faixa de Gaza e tem dividido profundamente a sociedade israelense. Esta é a primeira eleição desde o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, que levou Israel a iniciar a guerra. A relação entre judeus e árabes israelenses segue no centro do debate.

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