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Execuções de atletas no Irã: alpinista é executado e grupo vê mais seis esportistas em risco

Alpinista iraniano foi executado em outubro e a Human Rights for Sport alerta que outros seis esportistas do Irã enfrentam risco de execução.

Por Roberto Andrade ·
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Execuções de atletas no Irã: alpinista é executado e grupo vê mais seis esportistas em risco
Arte: Repórter Capixaba

As execuções de atletas no Irã ganharam mais um caso com a morte do alpinista Ali-Sina Mostafavi, executado em 14 de outubro. Segundo o grupo ativista Human Rights for Sport, formado por ex-atletas iranianos e com sede em Oslo, na Noruega, ao menos seis esportistas do país enfrentam a mesma sentença e podem ser executados a qualquer momento.

Mostafavi registrava suas escaladas em algumas das montanhas mais altas do mundo, incluindo o Everest. Ele foi preso em abril, após protestos contra o governo realizados alguns meses antes. Segundo a acusação, ele teria aberto fogo contra civis na Praça Azadi, em Kerman, em 24 de março, e participado das manifestações de janeiro. A acusação o descreve como um «agente armado do inimigo sionista-americano».

A morte de Mostafavi vem logo depois de outras duas execuções. No início de outubro, foi morto o atleta de taekwondo Siavash Jamshidi Kheirabadi. Em maio, o lutador de artes marciais mistas Gholamreza Khani Shakarab foi enforcado.

A organização afirma que a Suprema Corte do Irã manteve as condenações de outros esportistas. Entre eles estão o nadador Ali Pishevarzadeh e o jogador de futebol Ehsan Hosseinpour, ambos presos durante os protestos de janeiro. Também está na lista o boxeador Mohammad Javad Vafaei Sani, preso em 2020 por participar de protestos um ano antes. Ele teve o pedido de novo julgamento negado no ano passado.

Outros três esportistas foram condenados à morte neste ano: o lutador de artes marciais mistas Benyamin Naghdi, a atleta de hipismo Taraneh Rahimi e a alpinista Maryam Siri. Para o grupo, seis atletas já foram executados em casos ligados aos protestos de janeiro ou a acusações políticas anteriores.

Os números apresentados pela entidade são ainda mais amplos. Segundo a Human Rights for Sport, 217 atletas iranianos morreram por disparos de arma de fogo em janeiro, e mais de cem foram detidos.

Para Zohreh Abdollahkhani, da organização, a comunidade esportiva iraniana vive sob forte pressão. Ela contou que, em um dos casos, a mobilização de outras entidades levou à suspensão da execução, mas a medida foi temporária. «Estou muito preocupada com todos eles», afirmou.

De acordo com a entidade, os atletas seriam alvo para enviar uma mensagem à população. Abdollahkhani citou o caso do lutador Navid Afkari Sangari, executado em setembro de 2020. «Ele era um modelo e muito famoso em toda a comunidade. O que aconteceu com ele também foi um alerta para toda a população», disse.

O contato com os condenados é outro obstáculo. Em um dos casos, a irmã e o cunhado do condenado foram presos, e as linhas telefônicas da família estão sob vigilância. Acredita-se ainda que a família de Mostafavi tenha sido convocada para a prisão horas antes da execução. Ele teria sofrido violência física durante a detenção em Kerman, antes de ser levado para isolamento.

A Fifa, entidade que comanda o futebol mundial, afirmou estar ciente das preocupações sobre atletas iranianos e agradeceu a colaboração das partes envolvidas. Segundo Abdollahkhani, quatro deputados do Parlamento Europeu escreveram à entidade antes da Copa do Mundo sobre o tema, mas não receberam resposta.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) foi criticado pela organização, que afirma que mudanças na equipe dificultaram o encaminhamento dos casos. O COI contestou essa versão e disse ter equipes de direitos humanos e proteção a atletas em funcionamento. Segundo a entidade, por ser uma organização não governamental, não tem autoridade para mudar leis ou o sistema político de um país soberano.

O caso segue sem previsão de desfecho. Para a Human Rights for Sport, o contato direto com os condenados se tornou praticamente impossível.

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