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Fome no Sudão: países ocidentais alertam para risco com guerra civil em curso

Estados Unidos e países europeus alertam para risco de fome no Sudão e cobram das partes em guerra o fim de obstáculos à ajuda humanitária.

Por Roberto Andrade ·
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Fome no Sudão: países ocidentais alertam para risco com guerra civil em curso
Arte: Repórter Capixaba

Os Estados Unidos e outros 30 países ocidentais alertaram para o risco de fome no Sudão e afirmaram ver uma “deterioração alarmante” da segurança alimentar no país. Em comunicado conjunto, os signatários pedem que os lados em guerra removam obstáculos à ajuda humanitária.

Segundo o documento, o conflito é o principal fator da crise de fome, por danificar infraestruturas essenciais e atrapalhar a produção de alimentos. A guerra começou em abril de 2023, após uma disputa de poder entre as Forças Armadas sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, grupo paramilitar. Desde então, 14 milhões de pessoas foram deslocadas de suas casas.

Além dos Estados Unidos, assinam a nota países da União Europeia, o Reino Unido, Canadá, Suíça e Noruega. O comunicado foi publicado pelo Departamento de Estado americano na última segunda-feira (26) e havia aparecido antes no site do Mecanismo Europeu de Proteção Civil e Operações de Ajuda Humanitária.

As estimativas citadas apontam que 19,5 milhões de pessoas, ou 41% da população sudanesa, enfrentam altos níveis de insegurança alimentar aguda, e cinco milhões estão em níveis de emergência de fome. Em junho, a Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar, apoiada pela ONU, estimou em 5,1 milhões o número de pessoas com fome grave no país.

O comunicado alerta que o número de crianças com desnutrição aguda grave pode superar a projeção de 825 mil casos, caso não haja ação imediata. Os signatários apontam como agravantes a obstrução sistemática da ajuda e os efeitos do El Niño, que reduziu as chuvas e aumentou a seca em mais da metade do território.

Yusuf Roble, diretor regional para a África Oriental da Islamic Relief, afirmou: “Há muito pouco para sobreviver”. Ele relatou que pessoas que voltam a Omdurman encontram suas casas destruídas ou saqueadas. Roble também contou ter conhecido uma mãe de sete filhos que não sabe onde está o marido há três anos e meio, único provedor da família.

Segundo ele, as refeições dessas famílias vêm de cozinhas comunitárias que sofrem com cortes de financiamento. Roble disse que apenas 40% do plano humanitário de 2026 para o Sudão havia sido financiado até setembro.

A Organização Mundial da Saúde descreve a guerra no Sudão como a pior crise humanitária do mundo. Para os signatários do comunicado, cabe às partes em conflito a principal responsabilidade por aliviar o sofrimento da população, e eles pedem acesso total, seguro, rápido e sem entraves à assistência.

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