Brasil lança primeiro projeto nacional para combater cardiopatias congênitas
Iniciativa mapeia diagnóstico em todas as capitais para reduzir mortalidade infantil até 2026.
As cardiopatias congênitas afetam 29 mil bebês brasileiros por ano e representam a terceira maior causa de mortalidade neonatal no país. Para enfrentar esse desafio, o Hospital Moinhos de Vento iniciou, em parceria com o Ministério da Saúde, o primeiro projeto nacional coordenado para diagnóstico precoce dessas condições.
A iniciativa “Diagnóstico Precoce das Cardiopatias Congênitas” integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O projeto tem execução prevista até dezembro de 2026 e atua em 81 centros distribuídos pelas capitais brasileiras.
Impacto das cardiopatias no Brasil
Os dados revelam a dimensão do problema de saúde pública. A condição atinge um a cada 100 recém-nascidos vivos e é responsável por 6% dos óbitos antes do primeiro ano de vida. Quando se apresenta na forma mais grave, chega a causar 30% das mortes no período neonatal.
As cardiopatias congênitas se desenvolvem durante as primeiras oito semanas de gestação, quando o coração ainda está em formação. Contudo, o diagnóstico precoce pode transformar esse cenário através de intervenções adequadas.
Três eixos de atuação
O projeto estrutura-se em três frentes estratégicas. Primeiramente, realiza um diagnóstico situacional da Rede de Atenção à Saúde em todos os estados brasileiros. Esta etapa identifica vazios assistenciais e fragilidades nos processos de cuidado através de ferramentas desenvolvidas especificamente para o mapeamento.
“Na construção das ferramentas tentamos pensar nas pluralidades do Brasil como um todo”, explica Jaqueline Radin, líder operacional de projetos Proadi-SUS pelo Hospital Moinhos de Vento. A equipe considerou particularidades regionais, incluindo o transporte fluvial de pacientes na região Norte através das “ambulanchas”.
A partir de novembro, quando os resultados do diagnóstico forem apresentados ao Ministério da Saúde, inicia-se o segundo eixo: elaboração de estratégias de enfrentamento em conjunto com as regiões.
O terceiro eixo contempla ações educacionais através da capacitação de profissionais. O primeiro curso EAD gratuito será lançado em outubro, com expectativa de mais de mil participantes. Além disso, haverá oficinas presenciais, teleconsultorias com especialistas e desenvolvimento de materiais educativos.
Impacto econômico da prevenção
A abordagem preventiva representa vantagens econômicas significativas para o Sistema Único de Saúde. O diagnóstico durante o pré-natal permite acompanhamento especializado durante toda a gestação e possibilita cirurgias intrauterinas quando necessário.
Além disso, garante que o parto ocorra em maternidades de alto risco equipadas para atender emergências cardiológicas neonatais. “Se prevenir antes é possível reduzir complicações e custos, além de garantir melhor qualidade de vida”, destaca Radin.
Equipe e perspectivas
O projeto conta com uma equipe de 15 profissionais apoiada pelo Ministério da Saúde e rede colaborativa. Segundo Admilson Reis da Silva, superintendente de Responsabilidade Social e Gestão de Riscos do Hospital Moinhos de Vento, a iniciativa representa um marco na busca pela universalidade e igualdade de acesso.
“O projeto visa ao diagnóstico e tratamento das cardiopatias congênitas, condições que, quando identificadas precocemente, têm prognóstico significativamente melhor e menor impacto socioeconômico para as famílias brasileiras”, conclui Silva.



