Guerra no Sudão: ataques com drones deixam população sem energia e combustível e afetam doentes
Ataques com drones atingem a infraestrutura de energia e combustível no Sudão, interrompem diálise em hospital e travam a entrega de ajuda humanitária.
A intensificação dos ataques com drones na guerra no Sudão atinge infraestruturas civis, como as de energia e combustível, e já compromete serviços essenciais à população. O alerta foi feito pela coordenadora humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) no país, Denise Brown, que descreve um padrão intenso de ataques direcionados a áreas civis.
Em entrevista, Denise afirmou que “fontes de energia e combustível parecem ser sistematicamente atacadas e destruídas”. Ao falar de Cartum, capital sudanesa, ela classificou esses atos como violação do direito humanitário internacional.
Em um hospital nos arredores de Cartum, a eletricidade acabou por causa dos ataques. Como a unidade não tem gerador nem painel solar, 25 pessoas que dependiam de máquinas de diálise tiveram o tratamento interrompido. O atendimento a gestantes e crianças também foi gravemente afetado.
A escassez generalizada de combustível agrava o quadro. Segundo a coordenadora, há filas quilométricas na capital de pessoas aguardando para comprar gasolina. Os motoristas de tuk-tuk, que levam passageiros ao trabalho e ao mercado, precisam esperar vários dias seguidos para abastecer e estão perdendo seu sustento.
Para a ONU, um dos maiores desafios neste momento é atender os milhões de deslocados pela guerra. Denise chamou a situação de “tragédia anunciada”, com pessoas saindo em busca de comida nas regiões de Darfur e Cordofão. O movimento é agravado pelo forte déficit de chuvas nos últimos meses, que afeta agricultores e colheitas.
De acordo com a coordenadora, a organização dispõe de grandes quantidades de suprimentos, como alimentos, produtos nutritivos, abrigo e itens não alimentícios. No entanto, centenas de caminhões estão parados por falta de combustível. Entraves burocráticos já foram superados, mas, sem combustível, a comida não chega a quem precisa.
Mesmo quando há combustível, muitas áreas do país são zonas de guerra ativas, e os comboios de ajuda também podem se tornar alvos. Nos últimos dois anos, foram registrados mais de 20 ataques a caminhões do Programa Mundial de Alimentos (PMA), que resultaram em mortes de profissionais e na perda de itens que poderiam salvar vidas.
Denise Brown ressaltou que o contexto no país é muito difícil e que esses riscos precisam ser enfrentados diariamente para alcançar pessoas em locais de acesso extremamente complicado.



